Já perdi em vinte e cinco anos
Muito mais do que eu gostaria.
Desde o riso que na infância havia
À presença de quem nós gostamos.
Nenhum riso estava nos meus planos,
Mas jamais eu imaginaria
Quantos mil sorrisos sorriria,
Quantos outros foram desenganos.
Mas sorri! Bons risos nós levamos.
E de tudo o que vivenciamos,
Tudo finda como findaria!
Mas amor acaba? Tolo engano!
Se findar o que de amor chamamos,
Nunca foi amor, jamais seria!
Por Mao Punk: Decidi divulgar poesias minhas por email para alguns amigos. Uma amiga, LOah, criou esse blog com tais poesias e me permitiu editá-lo. VALEU,LOAH! Você me ajudou a expandir a expressão! Eis poesias que escrevi entre 2006 aos dias de hoje. Estão fora de cronologia,mas a expressão é livre para isso! Mais uma vez, valeu, LOah! E obrigado a todxs que leem o blog! Sem vocês a expressão ficaria limitada! PAZ E ANARQUIA!
Respeite a arte! Ao reproduzir em outros lugares a obra de algum artista, cite o autor. Todas as poesias aqui presentes foram escritas por Mao Punk.
Visite também meu blog de textos: RESQUÍCIOS DEPRESSIVOS, SUJOS E NOJENTOS .
Textos que expõem a fragilidade e indecência humanas de forma irônica, metafórica e sem embelezamentos.
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
domingo, 18 de agosto de 2013
SE A PAIXÃO É ALGO QUE NOS É NEGADO...
Se a paixão é algo que nos é negado,
Será proibido, então, sentir por dentro
Esta sensação de que se queima o peito
Ao se respirar, assim, desavisado?
Ninguém avisara sobre este pecado,
Mas se enfim soubesse, inda teria feito
O meu coração, sem meu consentimento,
O que bem fizera ao ter me descuidado!
Se tudo que sinto a ti parece errado,
Culpa-me, transforma-me em desdenhado,
Faze o que quiseres se te dou tormento!
Mas nada proíba a mim – nem mesmo o fado –
De sentir-me assim, eterno apaixonado,
Pois nada é a culpa frente ao sentimento.quinta-feira, 1 de agosto de 2013
SONETO PARA GRAZIELLE*
Quem chegara perto por certo notara
Um fervor de alma, um quê desconhecido,
Um fervor de alma, um quê desconhecido,
A anunciação de que outro sentido
Tivera surgido qual proeza rara.
Tivera surgido qual proeza rara.
Nessa ocasião, a nuvem que passara
Resolvera abrir, saudando o ocorrido;
Resolvera abrir, saudando o ocorrido;
O jardim jamais esteve mais florido,
A escuridão tornava-se mais clara.
Quem chegara perto por certo notara
Uma grande força a qual não se equipara
Nada que pudesse ser reconhecido.
Eis que a poesia ali anunciara
Que surgira aquela que nos é tão cara!
Era Grazielle que tinha nascido.* Soneto entregue no aniversário de Grazielle. LUTO. Esteja em paz, Grazy...
quarta-feira, 31 de julho de 2013
RISOS SEM CONVITE
Que o humor se mantenha!
Que saibamos que risos, como os que damos à toa,
Surgem sem convite,
Aparecem ao longo da festa chamada vida.
A vida às vezes é uma festa na qual não parecemos convidados.
Mas os risos sabem como se infiltrar.
E no final das contas,
Estamos dentro da festa esperando esses penetras surgirem.
E eles surgem. No melhor da festa eles surgem!
Que saibamos que risos, como os que damos à toa,
Surgem sem convite,
Aparecem ao longo da festa chamada vida.
A vida às vezes é uma festa na qual não parecemos convidados.
Mas os risos sabem como se infiltrar.
E no final das contas,
Estamos dentro da festa esperando esses penetras surgirem.
E eles surgem. No melhor da festa eles surgem!
sábado, 27 de julho de 2013
POESIA PARA COLHER COMO FLOR
Olhe a poesia!
Colha como queira!
Pode ser tão sua,
Verso que se cheira!
Colha a poesia,
Quase a fiz só sua!
Mas a flor do verso
A todos perfuma.
Se esta flor de versos
Rimar com sua calma,
É tão sua a flor,
É tão flor minh’alma!
Colha como queira!
Pode ser tão sua,
Verso que se cheira!
Colha a poesia,
Quase a fiz só sua!
Mas a flor do verso
A todos perfuma.
Se esta flor de versos
Rimar com sua calma,
É tão sua a flor,
É tão flor minh’alma!
terça-feira, 23 de julho de 2013
PONTO DE CONCENTRAÇÃO
Destes versos, pensamento:
Poesia boa a minha!
Carregando sentimentos
Sem dizê-los numa linha!
Poesia boa a minha!
Carregando sentimentos
Sem dizê-los numa linha!
quinta-feira, 18 de julho de 2013
SONETO DA NOITE CLARA*
Eu olhara acima. Onde o firmamento?
Lá achara a Lua sem o céu. Pensara:
“Como pode a Lua, em sua beleza rara,
Surgir sem o céu? Tamanho atrevimento!”
Começara a busca no mesmo momento:
Por detrás de estrelas nada encontrara,
Dentre uma nuvem que se dispersara
Nada encontrara que não fosse vento.
Mas havia em mim algum pressentimento:
Tal anoitecer jamais seria isento
De um céu presente. Logo eu o achara!
Eu seguira um brilho e neste movimento
Descobrira o céu, fugira o desalento:
Encontrara os olhos teus, a noite clara!
* 1º Lugar no Prêmio Emílio Lansac Toha,
XXI Concurso de Poesia e Prosa da Academia de Letras de São João da Boa Vista - Categoria: Poesia/Adulto
Lá achara a Lua sem o céu. Pensara:
“Como pode a Lua, em sua beleza rara,
Surgir sem o céu? Tamanho atrevimento!”
Começara a busca no mesmo momento:
Por detrás de estrelas nada encontrara,
Dentre uma nuvem que se dispersara
Nada encontrara que não fosse vento.
Mas havia em mim algum pressentimento:
Tal anoitecer jamais seria isento
De um céu presente. Logo eu o achara!
Eu seguira um brilho e neste movimento
Descobrira o céu, fugira o desalento:
Encontrara os olhos teus, a noite clara!
* 1º Lugar no Prêmio Emílio Lansac Toha,
XXI Concurso de Poesia e Prosa da Academia de Letras de São João da Boa Vista - Categoria: Poesia/Adulto
terça-feira, 16 de julho de 2013
POESIA DO ABISMO
O que tu avistas à beira do abismo?
Tu vês precipício no próximo passo
Ou vês, no horizonte, o voo do pássaro
Rumando certeiro a um novo destino?
Do alto, tua vista alcança que polo?
O céu adornado de nuvens e cores
Ou olhas p’ra baixo com mil dissabores
Esperando as dores da queda no solo?
À beira do abismo teu passo é destino,
A sorte da vida é o vão no caminho.
O que tu avistas? Qual rumo tomar?
Conforme a visão que tu dás ao dilema,
Teu passo será como queda certeira
Ou será teu corpo a voar... a voar!quinta-feira, 11 de julho de 2013
GREVE DE FOME
Paixão também morre de fome
E a minha declara greve.
Fecho a boca para teu doce
... encanto,
Pois tua língua nunca me alimentou.
Fecho a boca para teu doce
... encanto,
Pois tua língua nunca me alimentou.
Bulimicamente vomito versos,
Todo gosto que colocaste alma a dentro.
Alimentaste a paixão com anseios
Que hoje são versos colocados para fora.
E para fora, Amor, são fluentes.
Que hoje são versos colocados para fora.
E para fora, Amor, são fluentes.
O que não mata engorda.
Oh, paixão magra! Oh, robusta poesia!
Oh, paixão magra! Oh, robusta poesia!
domingo, 30 de junho de 2013
UM VERSO NO MEIO DO CAMINHO
Vê se pode:
Botaram verso no caminho do poeta
(Vocês devem saber que o poeta nem sempre escreve versos,
Apenas coleta os versos que encontra pelo caminho,
Escondidos por entre casas, caos, cacos e coisas),
Quase que tropeça, coitado!
Mas ao invés disso, sentiu em seus passos essa parte de poema,
Pegou o que encontrou,
Juntou com outros versos que estavam no bolso,
Mais outros que estavam em mãos e
Caso resolvido!
Poeta não tropeça, faz obra!
Botaram verso no caminho do poeta
(Vocês devem saber que o poeta nem sempre escreve versos,
Apenas coleta os versos que encontra pelo caminho,
Escondidos por entre casas, caos, cacos e coisas),
Quase que tropeça, coitado!
Mas ao invés disso, sentiu em seus passos essa parte de poema,
Pegou o que encontrou,
Juntou com outros versos que estavam no bolso,
Mais outros que estavam em mãos e
Caso resolvido!
Poeta não tropeça, faz obra!
segunda-feira, 24 de junho de 2013
PRETENSIOSAMENTE POETA
Nas primeiras vezes que me chamaram de poeta
Contive meu sorriso.
Pequei.
Prendi por detrás dos lábios mais uma poesia.
Contive meu sorriso.
Pequei.
Prendi por detrás dos lábios mais uma poesia.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
SONETO DE REVOLUÇÃO
Levanta-te, povo! Mas não a bandeira!
A causa do povo não cabe em um pano.
No canto do hino há grito tirano,
No verde-amarelo há dor sorrateira.
Levanta-te, povo! Quebrando a fronteira!
Sem pátria, sem mestres, sem líder, sem amos.
O punho cerrado, os gritos que damos,
Farão estes panos virarem fogueira!
Levanta-te, glória! Não mais prisioneira!
A causa do povo é a causa primeira,
A ordem burguesa não reconheçamos!
E quando surgir a revolta certeira,
Por cada esperança que o povo semeia,
Haverá de ser Primavera onde estamos.
A causa do povo não cabe em um pano.
No canto do hino há grito tirano,
No verde-amarelo há dor sorrateira.
Levanta-te, povo! Quebrando a fronteira!
Sem pátria, sem mestres, sem líder, sem amos.
O punho cerrado, os gritos que damos,
Farão estes panos virarem fogueira!
Levanta-te, glória! Não mais prisioneira!
A causa do povo é a causa primeira,
A ordem burguesa não reconheçamos!
E quando surgir a revolta certeira,
Por cada esperança que o povo semeia,
Haverá de ser Primavera onde estamos.
CRÔNICA DO PRANTO DELA e PALAVRAS CALADAS QUE AGORA SÃO NOSSAS
Não pude entregar os versos a
ela.
Ela chorava. E não pude entregar
os versos a ela.
Não consegui romper o pranto com a poesia.
Não consegui romper o pranto com a poesia.
E por não o fazer, no meu peito
também
Há um pranto desconsolado,
frustrado.
Ah, se ela soubesse que havia
verso!
Ah, se ela soubesse que seu
pranto é o meu!
Apenas a vi sem querer. E a vi
chorar.
Decerto que nunca mais, em momento algum,
Decerto que nunca mais, em momento algum,
Tornarei a vê-la. Mas o pranto
dela é meu pranto
E sua dor é a dor que ela deixou
em mim.
Sua dor é todo verso que
escrevo.
Sua dor é a poesia que tenho
comigo.
Não pude entregar os versos a
ela,
Mas eu os escrevi. E não posso,
por nada,
Deixá-los morrer. Alguém os
necessita!
Portanto exponho aqui nossas
dores,
Exponho nós dois, como um,
nestes versos
Que eram tão dela, tão eu, tão
nós...
E agora são todos, são versos de
todos!
Palavras Caladas Que Agora São
Nossas:
“Não há pranto que não regue!
Este sal que cai do rosto
Nutrirá, com novo gosto,
O sorriso que prossegue.”
terça-feira, 11 de junho de 2013
sábado, 8 de junho de 2013
sábado, 1 de junho de 2013
DESUSO
Deixarei fora de mim tudo aquilo em desuso:
Ideias, pensamentos, pessoas, sentimentos...
Não serei escravo das construções erradas que fiz.
Não sou arquiteto para me arruinar com o que desabou. Sou poeta!
Não sou sequer relevância em qualquer coisa.
Sou apenas este instante que já não é mais. Passou.
E agora ainda é outro. E já foi. E assim se vai. Ou vou.
O que importa, afinal? "Afinal". Remetendo à ideia de fim.
Que fim vale a pena o desgaste do agora?
O resgate do agora perdido por nada?!
Não mais! Que o mais é excesso de tempo no tempo.
Deixarei fora de mim tudo aquilo em desuso:
Versos velhos, papéis velhos, meu velho humor envelhecido...
Fora de mim, pois o jardim da vida é infinito!
Se a velharia for flor, colherei quando me convier.
Ademais, não sou mais que o segundo que passa,
Que o ar sujo que passa, que a vida que passa...
Não sou mais que alguém que passa sem vida,
Sem carregar em si qualquer projeto de existência.
A diferença está no entendimento de que passo.
Eles que passem sem saber, sem sentir, sem viver!
Não sou filósofo, não sou psicólogo, não sou médico.
Sou poeta. E deixo tudo o que não for rimar em desuso.
Deixarei fora de mim tudo aquilo que não abrigar meus versos,
Meus versos imediatos, meus versos desesperados, meus versos!
Adeus, oh, restos!
Adeus, ideias! Adeus, pensamentos! Adeus, pessoas! Adeus, sentimentos!
Não serei escravo dos problemas tardios, vadios, passados...
Não sou historiador para estudar minha história. Sou poeta!
E um poeta nunca aprende. Jamais!
Ideias, pensamentos, pessoas, sentimentos...
Não serei escravo das construções erradas que fiz.
Não sou arquiteto para me arruinar com o que desabou. Sou poeta!
Não sou sequer relevância em qualquer coisa.
Sou apenas este instante que já não é mais. Passou.
E agora ainda é outro. E já foi. E assim se vai. Ou vou.
O que importa, afinal? "Afinal". Remetendo à ideia de fim.
Que fim vale a pena o desgaste do agora?
O resgate do agora perdido por nada?!
Não mais! Que o mais é excesso de tempo no tempo.
Deixarei fora de mim tudo aquilo em desuso:
Versos velhos, papéis velhos, meu velho humor envelhecido...
Fora de mim, pois o jardim da vida é infinito!
Se a velharia for flor, colherei quando me convier.
Ademais, não sou mais que o segundo que passa,
Que o ar sujo que passa, que a vida que passa...
Não sou mais que alguém que passa sem vida,
Sem carregar em si qualquer projeto de existência.
A diferença está no entendimento de que passo.
Eles que passem sem saber, sem sentir, sem viver!
Não sou filósofo, não sou psicólogo, não sou médico.
Sou poeta. E deixo tudo o que não for rimar em desuso.
Deixarei fora de mim tudo aquilo que não abrigar meus versos,
Meus versos imediatos, meus versos desesperados, meus versos!
Adeus, oh, restos!
Adeus, ideias! Adeus, pensamentos! Adeus, pessoas! Adeus, sentimentos!
Não serei escravo dos problemas tardios, vadios, passados...
Não sou historiador para estudar minha história. Sou poeta!
E um poeta nunca aprende. Jamais!
sexta-feira, 31 de maio de 2013
SONETO A ELA
Um medo que não fere atinge o peito,
Sorriso ao medo surge acompanhado.
Sem nada resistir, sou apanhado.
À sorte da incerteza estou sujeito.
Qual fosse mais vital, menos defeito,
Aquilo que é incerto é declarado,
Assim como o que é certo está negado
E o mistério é dado por direito.
Mas eu sorri! A causa deste efeito,
Na linha entre o perfeito e o imperfeito,
Faz deste medo assombro contemplado.
Pois tu surgiste viva! E neste feito
Deixaste, além do medo e deste preito,
Um coração poético encantado.quarta-feira, 29 de maio de 2013
FARTURA
Que falte a água que mata a sede,
Que falte à fome qualquer comida,
Mas não me falte, jamais me falte,
A poesia de cada dia!
Que falte à fome qualquer comida,
Mas não me falte, jamais me falte,
A poesia de cada dia!
sexta-feira, 24 de maio de 2013
O OMBRO DA LITERATURA
A Poesia me rendeu lembranças,
Rendeu-me o pranto antes sufocado,
Rendeu-me o lenço bordado de letras,
Rendeu-me o ombro da literatura.
A Poesia me rendeu a vida!
Rendeu-me morte seguida de morte,
Rendeu-me as vidas, infinitas vidas,
Que se seguiram quanto mais morria!
A Poesia me rendeu recanto,
Também abismo para minhas dores,
Também a cela de minhas prisões
E a liberdade de quebrar correntes.
A Poesia não se cala nunca!
Ouça c'os olhos este grito alto!
A Poesia me rendeu sorrisos,
Rendeu-me as asas que tenho na mente,
Rendeu-me o colo quando fui perdido,
Rendeu-me a paz presente em desesperos.
A Poesia me rendeu loucuras,
Rendeu-me a perda de qualquer juízo,
Rendeu-me a calma do que foi preciso,
Rendeu-me o mundo que existe em mim.
A Poesia me rendeu carinho,
Rendeu-me o amor de fato verdadeiro,
Rendeu-me o olhar além do mundo sujo,
Rendeu-me a própria Poesia viva!
A Poesia me rendeu p'ra sempre
E para sempre eu me rendi a ela!
Rendeu-me o pranto antes sufocado,
Rendeu-me o lenço bordado de letras,
Rendeu-me o ombro da literatura.
A Poesia me rendeu a vida!
Rendeu-me morte seguida de morte,
Rendeu-me as vidas, infinitas vidas,
Que se seguiram quanto mais morria!
A Poesia me rendeu recanto,
Também abismo para minhas dores,
Também a cela de minhas prisões
E a liberdade de quebrar correntes.
A Poesia não se cala nunca!
Ouça c'os olhos este grito alto!
A Poesia me rendeu sorrisos,
Rendeu-me as asas que tenho na mente,
Rendeu-me o colo quando fui perdido,
Rendeu-me a paz presente em desesperos.
A Poesia me rendeu loucuras,
Rendeu-me a perda de qualquer juízo,
Rendeu-me a calma do que foi preciso,
Rendeu-me o mundo que existe em mim.
A Poesia me rendeu carinho,
Rendeu-me o amor de fato verdadeiro,
Rendeu-me o olhar além do mundo sujo,
Rendeu-me a própria Poesia viva!
A Poesia me rendeu p'ra sempre
E para sempre eu me rendi a ela!
sexta-feira, 17 de maio de 2013
SONETO DO SORRISO ILUSTRE
Como alguém que orna a branca folha nua
E da virgem cor faz arte concebida,
Tu trouxeste alento à mente adoecida
Ao me colorir co'a fina arte tua!
Desenhaste um traço, raio de candura,
Na imensidão do vão destas feridas.
Encheste de belas luzes coloridas
Onde outrora havia apenas sombra escura.
Como pode haver em mim esta fissura
Que me tira o senso, o siso, a compostura,
Se tu inda és p'ra mim desconhecida?
É que desenhaste em mim alguma cura,
Tal que o pensamento, quando te procura,
Encontra nos lábios um sinal de vida.
E da virgem cor faz arte concebida,
Tu trouxeste alento à mente adoecida
Ao me colorir co'a fina arte tua!
Desenhaste um traço, raio de candura,
Na imensidão do vão destas feridas.
Encheste de belas luzes coloridas
Onde outrora havia apenas sombra escura.
Como pode haver em mim esta fissura
Que me tira o senso, o siso, a compostura,
Se tu inda és p'ra mim desconhecida?
É que desenhaste em mim alguma cura,
Tal que o pensamento, quando te procura,
Encontra nos lábios um sinal de vida.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
POESIA NOJENTA
Na louça brilhando,
Na água, boiando,
Deixei uma parte de mim.
Em meio ao cagaço,
Caindo aos pedaços,
Deixei uma parte de mim.
Liberto das regras,
Saindo das pregas,
Deixei um pedaço de mim.
Sem nenhum apego,
Caindo do rego,
Deixei uma parte de mim.
Que bom que seria
Se, por ironia,
A vida também fosse assim:
A cada pedaço
Em que me desfaço,
Mais leve eu ficasse no fim!
Na água, boiando,
Deixei uma parte de mim.
Em meio ao cagaço,
Caindo aos pedaços,
Deixei uma parte de mim.
Liberto das regras,
Saindo das pregas,
Deixei um pedaço de mim.
Sem nenhum apego,
Caindo do rego,
Deixei uma parte de mim.
Que bom que seria
Se, por ironia,
A vida também fosse assim:
A cada pedaço
Em que me desfaço,
Mais leve eu ficasse no fim!
terça-feira, 23 de abril de 2013
LOCAL
Toda ideia do que mais desejo está em mim. Então por que me sentir deslocado se sou meu próprio espaço, cheio de coisas que mais quero?
Tudo o que mais desejo, por assim dizer, sou eu. Sou eu, pois sou a ideia que carrego. E carrego anseios. Sou os anseios transbordando em mim mesmo.
Sou o anseio de mim mesmo em um espaço que é meu. E é meu por eu ser esse próprio espaço.
Sou eu a totalidade à parte do resto. Sou a poesia que espero. Estou me esperando já estando aqui.
E lá fora tudo é cinza. Mas lá fora não sou eu.
Descobrir-me-ei a mais.
Tudo o que mais desejo, por assim dizer, sou eu. Sou eu, pois sou a ideia que carrego. E carrego anseios. Sou os anseios transbordando em mim mesmo.
Sou o anseio de mim mesmo em um espaço que é meu. E é meu por eu ser esse próprio espaço.
Sou eu a totalidade à parte do resto. Sou a poesia que espero. Estou me esperando já estando aqui.
E lá fora tudo é cinza. Mas lá fora não sou eu.
Descobrir-me-ei a mais.
quarta-feira, 17 de abril de 2013
terça-feira, 16 de abril de 2013
INDEFINIDO
Um bem gostar que não se sabe como
E nem se explica, mesmo tendo causa,
Que pede fogo quando o peito abrasa
E chora água quando aviva o fogo.
Se mais sentido, menos faz sentido;
E quanto mais se sente, mais se cresce;
E dá mais vida enquanto se padece,
Mais aparece quanto mais perdido.
Perdidamente, enfim, é como vivo,
Que já não sei versar um só motivo
Da causa justa que injustamente
Toma-me o peito, mesmo já preenchido.
Hei de viver, assim, indefinido,
Porque te amo, Amor, perdidamente!
E nem se explica, mesmo tendo causa,
Que pede fogo quando o peito abrasa
E chora água quando aviva o fogo.
Se mais sentido, menos faz sentido;
E quanto mais se sente, mais se cresce;
E dá mais vida enquanto se padece,
Mais aparece quanto mais perdido.
Perdidamente, enfim, é como vivo,
Que já não sei versar um só motivo
Da causa justa que injustamente
Toma-me o peito, mesmo já preenchido.
Hei de viver, assim, indefinido,
Porque te amo, Amor, perdidamente!
domingo, 14 de abril de 2013
quarta-feira, 10 de abril de 2013
PERDÃO OU CASTIGO
Há tempos que não verso como deveria.
Perdoa, Poesia! Perdoa, Poesia!
Não vejo a beleza que eu poderia.
Perdoa, Poesia! Perdoa, Poesia!
O mundo mundano mandando no dia.
Perdoa, Poesia! Perdoa, Poesia!
Perdoa ou castiga-me de forma fria:
Com verso, Poesia, de dor e agonia.
Perdoa, Poesia! Perdoa, Poesia!
Não vejo a beleza que eu poderia.
Perdoa, Poesia! Perdoa, Poesia!
O mundo mundano mandando no dia.
Perdoa, Poesia! Perdoa, Poesia!
Perdoa ou castiga-me de forma fria:
Com verso, Poesia, de dor e agonia.
sábado, 6 de abril de 2013
O GRITO
A poesia GRITOU! – TOU! TUM! –
Fez um eco-o-o-o...
Um treco estranho!
Tamanho foi o susto do sujeito
Que, dentro do peito, a batida que fez
Fundiu-se de vez
À poesia que GRI – TUM! TUM! – TOU-ou-ou-ou...
terça-feira, 2 de abril de 2013
POEMA DE AMOR
Há quem dê amor no toque,
Há quem dê amor no beijo,
Há quem dê amor na troca
Entre dois (ou mais) desejos.
Minha boca beija o nada
E meu tato toca o vento,
Minha troca se baseia
Em trocar de dor no peito.
Mas amor também me toma,
De amor também sou feito!
E o amor que em mim aflora
Posso dar de outro jeito.
Há quem dê amor no beijo,
Há quem dê amor na troca
Entre dois (ou mais) desejos.
Minha boca beija o nada
E meu tato toca o vento,
Minha troca se baseia
Em trocar de dor no peito.
Mas amor também me toma,
De amor também sou feito!
E o amor que em mim aflora
Posso dar de outro jeito.
sexta-feira, 29 de março de 2013
SEM ESCOLHA
Fosse escolha ser poeta,
Isso eu não seria, não!
Não aceito que o poeta
Seja assim por opção.
Ser poeta por escolha?
Que tamanha aberração!
Não se escolhe ser poeta,
Ser poeta é condição!
Isso eu não seria, não!
Não aceito que o poeta
Seja assim por opção.
Ser poeta por escolha?
Que tamanha aberração!
Não se escolhe ser poeta,
Ser poeta é condição!
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