Respeite a arte! Ao reproduzir em outros lugares a obra de algum artista, cite o autor. Todas as poesias aqui presentes foram escritas por Mao Punk.

Visite também meu blog de textos: RESQUÍCIOS DEPRESSIVOS, SUJOS E NOJENTOS .
Textos que expõem a fragilidade e indecência humanas de forma irônica, metafórica e sem embelezamentos.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

RUAS A ATRAVESSAR

Tanta gente querendo entrar,
Tanta rua pra atravessar,
Tanto riso para sorrir,
Tanto medo pra deixar ir.

Tanto eu. Tanto aqui. Tanto há. Tanto sou.

"Tanto faz" já não me apraz.


segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

ANTES DE RESSUSCITAR

Por um momento,
O caos morto.
Num beijo
Eu tive conforto.


quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

SEM FUTURO

Pelo andar dos dias, assumo:
Para mim não há futuro.
Tudo o que tenho é hoje.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

AOS CAMINHOS DE ISABELLY

Não temas esta dor que ora aperta,
Nem mesmo a incerteza que se trama,
Sequer sejas vencida frente ao drama,
Não deixes à tristeza a porta aberta.

Não penses sobre a dor deste poeta,
Pois a dor de poeta se declama,
Mas digo ao desespero que te inflama:
A tua dor à minha mais me acerta!

Portanto, à tua calma esteja alerta
E a todo sentimento que te cerca.
Não te afogues na dor que se derrama,

Nem deixes tua alma ser deserta.
E quando tu sentires que és completa,
Farás feliz aquele que te ama!




domingo, 14 de dezembro de 2014

AMOR EM DIAS ÚTEIS

Conformado às voltas que a vida dá.
Nas adversidades hei de aceitar
Esse nosso amor que não sossega
E que jamais desvaneceu.

E quando o final de semana chegar,
Tentar entender sem lamentar
Que são os dias em que se entrega
A quem mais te mereceu...


sábado, 6 de dezembro de 2014

DELÍRIO

Poema que eu quis fazer
Não saiu.
Restou versar
O que nunca se viu:

Minha boca,
Rimando tua boca,
Sorriu.



domingo, 30 de novembro de 2014

FRÁGIL

Fragilidade:
Viver inteiro,
Sentir-se metade.


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

sem título, novembro de 2014

Só estou cansado,
Não pergunte o que há.
Meu peito bem sabe,
Mas não pode parar.

domingo, 9 de novembro de 2014

ENTRE O POETA E O LEITOR

Poesia minha:
Há risco de mim
Em tua linha?


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

AURA


Senti
Uma
Aura
Que sopra
Um sopro
De calma.


      há
           aura.

Laura.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

SOLUÇÃO

Eis a solução para meu problema:
Eu continuo paixão,
Você continua poema.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

MAMÃO NÃO TEM

Você achou que a vida
Era açúcar,
Docinho que se come
Com mamão.

De fato, acertou,
Mas não na fruta:
A vida, sim,
É doce...
               ...ilusão.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

DESALINHADO

Eu
               desalinhado.
               A
Poesia
               pende
                pro
               meu
               lado.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

NECESSINTOMA

Tem dias 
Em que...

          ...só...

...preciso de poesia.
E o resto
É só o resto
De uma antiga agonia.

domingo, 5 de outubro de 2014

MINHA RELAÇÃO

Poesia:
Amor
           Pra toda vida!
Quem me lê
              Não duvida.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

O QUE NOS CABE, QUE NÃO SE ACABE

História mal acabada:
Há muito tudo
Pra tanto nada...


terça-feira, 30 de setembro de 2014

A SERVENTIA DOS QUERERES

Eu te quis
Como quis a ela.
Você
Por um triz;
Ela
Uma espera.
Entre esta
E aquela,
Entre umas
E outras belas,
Entre o acerto
Que o erro
Não revela
E o erro
Que me desespera,
Eis meu peito:
Servido
À cabidela.


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

QUASE EM VÃO

Pensei em escrever
À toa.
Quase em vão:

O tédio virou verso,
O verso
Minha razão.



quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A MATEMÁTICA

Tolice esperar tanto da vida,
Que a vida pouco pode oferecer.
A cada riso dado, uma ferida;
A cada dor sentida, um padecer.

E nós morremos mais do que vivemos.
É tanto que pergunto se é capaz
A falha matemática que temos
De em uma vida só, morrermos mais.

Será que para cada nova morte
Precisa-se primeiro renascer?
Se for assim, quão triste é nossa sorte!
Nascemos, todo dia, p'ra morrer.


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

SONETO CIENTÍFICO

A arte da ciência é mundo aberto!
De mil conhecimentos há fartura.
De onde não se imaginava a cura,
Empenho nos levara até o acerto.

A humanidade agora chega perto
De alcançar na história mais altura,
O construir de sólida estrutura
Da sapiência é um caminho certo.

Desponta o intelecto desperto
Capaz de descobrir mar no deserto
E a luz da evolução na sombra escura,

Mas mesmo destrinchando-se o incerto,
Ainda assim jamais foi descoberto
Por que tanta beleza em tua figura.


domingo, 31 de agosto de 2014

PERMISSÃO

Essa vida
Maldita
É simples, meu bem:

Quem se permite
Consegue
Ir além.


ATÉ A MORTE

Andava rasgado,
Cabelo espetado,
As frases no jaco
Dizendo a real.
Colava nas gigs,
Produzia zines,
E pra quem o visse,
Era marginal.

Nas ruas gritava,
P.M. enfrentava,
Seu ato alertava
Sobre a opressão.
Mas poucos notavam,
Pois ignoravam
O que deturpavam
Na televisão.

E articulado
Com interessados
Trocava contatos,
Fazia crescer
A contracultura,
O punk nas ruas.
Ninguém o segura
Disposto a fazer!

E o tempo passando,
O mundo mudando,
E o peito gritando
Que não vai mudar!
A vida acontece,
Responsa aparece,
O caminho endurece,
Parece matar!

Mas nunca esqueceu
Tudo o que viveu
E o que aconteceu
Até o momento.
Sempre consciente,
Ampliando a mente,
Sempre fez presente
Todo o ensinamento.

As roupas mudaram,
Pessoas passaram,
Mil outras chegaram,
Vem nova lição.
É outro horizonte,
É um novo front
E a luta constante
Em seu coração.

Em seu dia-a-dia,
Clamando anarquia,
Quem não conhecia
Passa a admirar.
E o que foi vivido
Num tempo já ido
Continua vivo,
Sempre a renovar.

Não importa a luta
Que agora labuta,
A sua conduta
Sempre vai dizer:
"Foda-se o sistema!
A ideia é certeira!
O peito diz: Êra!
Punk até morrer!"


domingo, 24 de agosto de 2014

NOITE IMAGINADA

Ela
Tão sexy
Na minha frente!
Em meu
Pensamento
Indecente,
O ato
Que infelizmente
Pra ela
Sequer
Veio à mente.




sábado, 23 de agosto de 2014

CAL(OR)(ADO)

Que pena!
Nós dois
A sós
E talvez
Dois desejos
Sem voz...


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

PASSAPORTE-CORTESIA

Merda feia,
Merda bela...
Não me importa:
Vá a ela!


FLOR DA PELE

Eu
À flor da pele.
Na pele,
A flor
Que mal-me-quer,
Que me quer mal.
Despetalei
Até o final.
O beija-flor
Jamais chegou.




quarta-feira, 13 de agosto de 2014

DOU ADEUS AOS DESENGANOS

Dou adeus
Aos desenganos
De meus anos.
Ou, quem sabe,
Até breve
P'ra algum dano
Que se serve.
Minha mente
Exige greve,
Mas meu peito
Não consegue:
Só trabalha,
Só trabalha...
Não há nada
Que o sossegue!
E assim,
Sem ter sossego,
Ora ou outra,
Quando em quando,
Dou adeus
Aos desenganos.
Mas me engano
Quando o faço,
Pois a cada
Novo passo
Inda bate
O coração.


terça-feira, 12 de agosto de 2014

DAS NECESSIDADES IMEDIATAS

Não quero saber,
Por ora,
Se algum riso me espera
Lá no fim.

Que espere sentado!
Agora
Estou ocupado
Cuidando de mim.



domingo, 10 de agosto de 2014

INVARIÁVEL

Deixa a vida doer, pessoa!
Não há em quem    
                          a vida não doa.


quinta-feira, 7 de agosto de 2014

PROBLEMA DE COMUNICAÇÃO

Quis te ligar
E ouvir sua voz,
Mas há um problema entre nós:

A operadora
De sua linha
Não é a mesma que a minha.


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

EM MEMÓRIA. GRAZIELLE

Um ano faz de tua triste ausência,
Um ano faz dessa saudade infinda,
Um ano faz dessa tragédia vinda,
Desse lamento, dura experiência.

Ainda peno a dor de tua falta,
De não poder ter te abraçado tanto,
Ainda pesa quando cai o pranto,
Ainda é tanta a dor que me arrebata.

A morte leva não só quem falece,
Pois quando a dor da morte não se esquece,
Morre uma parte de quem está vivo.

Mas ao lembrar de abraços que me destes,
Mesmo diante à morte, permanece
Meu coração a pulsar um sorriso.


domingo, 27 de julho de 2014

quarta-feira, 23 de julho de 2014

SE EU VERSO ASSIM

Se eu verso assim,
Meio sem jeito,
É que escrevi
O que há no peito.

Se eu verso assim,
Meio sem graça,
É que o sorriso
Me embaraça.

Se eu verso assim
E não me acho,
É que perdido
Fiquei nos cachos.

Mas se escrever
Fez jus à pena,
É que em teu beijo
Achei poema!


segunda-feira, 21 de julho de 2014

NOITE SEM BREU

A bela moça
Temeu a noite.
Pensou no breu.

Ao vê-la, bela,
Este poeta
Não entendeu,

Pois era brilho
Que emanava
Sem hesitar!

E nos seus lábios
Eu vi a noite
Se iluminar.

sábado, 12 de julho de 2014

O QUE ISABELLY NÃO VIU NOS CONTOS

Dos livros muitos buscam do contexto
Achar pelas esquinas, pela estrada,
O amor presente em páginas folheadas
Que fora escrito tanto em cada texto.

E pelos filmes tenta achar pretexto
A alma sonhadora, emocionada,
Para sorrir como se fosse amada
Ao assistir as cenas com apreço.

Em meio às fantasias, reconheço:
Amor igual ao meu eu desconheço,
Que nunca vi amor igual em nada!

Pois deste imenso amor que te ofereço,
Jamais encontrará sequer um terço
Em livros, filmes ou contos de fada.


quarta-feira, 9 de julho de 2014

POLIVERSOS

Não quero você, nem ninguém.
Eu só quero o que nos convém.

Não quero ser preso ou prender,
Eu só quero o direito de ser.

Não quero ser uma metade,
Ser inteiro é ceder liberdade.

E liberto, eu vos digo assim
Que vos quero libertxs de mim.


sábado, 28 de junho de 2014

VAI, BRASIL!

Vai, Brasil!
Avante!
Pisando na bola,
Faltas graves,
Impedimento
                     de direitos sociais.


Vai, Brasil!
Comemora!
Agora!
E lá fora
É a hora
               em que o mundo jaz.


quarta-feira, 25 de junho de 2014

PRECISO MENCIONAR?

Parece Mentira,
Porém Matam
Pobres, Miseráveis...

- Para, Maluco!

Preso. Mordaça.
Pancadas. Machucados.
Padeço Mudo...
Pad... Mud...
Pa.. Mu..
P.M.





domingo, 22 de junho de 2014

CUPIDO

Cupido carrega flechas de todos os tipos.
Às vezes ele mira, mas nem é no coração.
Às vezes atira só para passar o tempo.
Parece que mira no cu. Só para foder mesmo.
Mira bem no olho do cu... e atira!
Faz os olhos notarem alguém,
Faz a mente viajar, viajar...
Mas a flecha do Cupido não dá coragem,
Não dá impulso para chegar a quem atrai.
É difícil agir quando se tem uma flecha no cu.




sexta-feira, 20 de junho de 2014

DOS DESEJOS

Quero,
            Não nego.
Calo
         Quando pudor.



terça-feira, 17 de junho de 2014

DE TUDO QUE NUNCA FOI

Sejamos passado.
Que seja bom
Quando lembrado!

segunda-feira, 16 de junho de 2014

ADIANTE

Sossegue!
A vida
Segue.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

FOLCLORE

Quem vê governo bom
Da vista não presta.
Polícia sendo justa?
Conversa!

Burguês consciente,
Elite decente...
Folclore do mundo,
Aberração!

Dos males do mundo
Prefiro o poeta,
Pois é verdadeiro
Versando ilusão.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

CRÍTICA AO SEXOCENTRISMO

Anexaram decência ao falo.
Vivência não é cada passo,
Mas o fim do cabaço.
Viver é um espaço
Entre a vulva e a vagina
Preenchido de gozo,
O cu, de vaselina.
E a vida como é agora
Já não se goza, só se esporra.



segunda-feira, 2 de junho de 2014

POEMA TURVO

O mundo se faz não só de trovas,
O mundo é mais turvo, bem mais torvo,
O mundo é espanto, o mundo é torto.
O mundo é tortura, é dura, é cova.

Humores do mundo, sem amores.
Amores da vida, só rancores.
As cores do dia dançam dores,
As dores da vida brindam morte.

Quem inda se espanta, sangra tudo.
Quem inda se espanta não se estanca.
Quem estanca espanto, as dores tranca.
Quem tranca desgosto desfaz luto.

Não há nisso tudo o que não valha.
Não há nem sequer o que não sirva.
Não há neste mundo quem não siga
E nunca tropece em meio à estrada.

E assim, de tropeços, torpes erros,
No errante compasso em que me faço,
Se julgo ou se agindo sou julgado,
Nenhuma justiça será feita.

E que não se espere esta justiça!
Pois nada a atiça. E quanto a nós,
Seremos errados toda a vida,
Seremos da vida o próprio algoz.


quarta-feira, 21 de maio de 2014

CHÁ PARA ANOS FUTUROS

Quem me apaixona
Trazendo sequela,
E quem na beleza
De ser exagera
Ainda é ela.

Pudera!

Quem não me surge
Depois da espera,
Mas anda comigo
Em toda quimera
Ainda é ela.

Tão bela!

Passam-se versos
E outras mazelas,
Mas quem permanece
No peito e se atrela
Ainda é ela.

Quem dera!

No pensamento,
Nenhuma cautela;
Um segundo se passa
E a cena revela:

Eu e ela...

sexta-feira, 16 de maio de 2014

RECEITA

Poesia minha eu faço assim:
Misturo o que não tenho
Com o que há dentro de mim.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

SONETO MUDO À CAMILA

Foi quando não podia a poesia
De um suspiro aparecer brotada
Que vez a mais de ti veio inspirada
A rima que em mim já não havia.

E assim se fez a súbita agonia
De não poder de ti ter saciada
Esta vontade tão enamorada
De teus encantos, bela primazia!

Dizer sobre o silêncio – quem diria! –
Dos versos que ora faço há valia?...
Se outrora em tuas mãos, acomodada,

Esteve a poesia que um dia
Gritara aos olhos teus o que sentia;
E o verso hoje é silêncio... e mais nada.

domingo, 11 de maio de 2014

MEIO ENCONTRO

Metade dos lábios
          Em uma vontade criada.
A outra metade calada:
            Em silêncio...

... Na metade de teus lábios,
                                      saciada.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

RISO DOS OLHOS

Sorri-te c'os olhos,
Teus olhos achei.
E vendo teus lábios
Um riso encontrei.

Mas este teu riso
Sorrira pra mim?
Quem dera teus olhos
Dizendo que sim!


domingo, 27 de abril de 2014

PEQUENO POEMA PUNK

Você é saudosista
Da antiga disciplina?
Foda-se você!
Eu quero anarquia!

Você impõe que os outros
Devem ser recatados?
Eu quero a podridão
De nós, mal educados!

Diz sobre seu bom Deus
Que vem trazer castigo?
Porém eu sou ateu,
Seu Deus não está comigo!

Diz que sou marginal
E que mereço a morte?
Que bom que me odeia,
Seu ódio é minha sorte!


segunda-feira, 14 de abril de 2014

HEMOGOZINA

Eu sinto emoção
Em rir com quem ri;
E o resto não importa!
Faz meu coração
Jorrar meu tesão
E gozar pela aorta.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

DESEJO DE POETA

Quis o poeta
Despetalar-te,
Poder despir-te
Parte por parte,
Quisera ver-te
E despudorar-te,
Fazendo arte
Ao introduzir-te.
Ao não poder-te,
Despoetou-se.


sexta-feira, 4 de abril de 2014

CRIATIVIDADE

Obra serena:
Fazer de três linhas
Qualquer poema.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

CHARME

Não há em mim espaço tanto quanto
Neste infinito e eterno céu de estrelas,
Mas estes olhos que brilharam ao vê-la
Quiseram ser teu céu, infindo manto.

Assim meus olhos astros se fizeram,
Pois nada mais definiria o brilho
Que senti radiar sem empecilho,
E eu pensei assim que estrelas eram.

Equívoco este meu! Não poderia
Vir de meus olhos esta luz que havia,
Mas sim de ti, que és a estrela rara!

E meu olhar sem ti nada seria,
Tal como a Lua que não brilharia
Se não houvesse estrela a iluminá-la.



quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

SONETO FRIO

Minha poesia agora está mudada,
Nela já não cabe sentimentalismo.
Hei de assumir no verso o egoísmo
E toda frieza dele acompanhada.

Nesta poesia tão modificada
Não há de se achar romântico lirismo,
Pois da esperança o nome é cinismo
E a desilusão não vem ornamentada.

Eu tornei-me frio; e fria é a estrada.
Se o que me aguarda ao fim da caminhada
For a dura queda, a queda é empirismo.

Mas nesta frieza ora destacada,
Ao precipitar-me à queda malograda,
Estarei comigo ao despencar do abismo.



domingo, 12 de janeiro de 2014

CIDADÃO DE BEM, HUMANO DIREITO

Você que trabalha,
Que paga impostos,
Que não admite
Que haja um dos nossos,

Que entra em shoppings
Para fazer compras,
Que paga seus carros,
Que arca com as contas,

Você que dá duro
Na diretoria,
Que não se sujeita
A essa anarquia

Dos tais vagabundos,
Desses marginais
Que nunca batalham
Como você faz,

Você que é honesto,
Humano direito
Que respeita as leis,
Que não tem defeito,

Que aplaude bem alto
As autoridades
Que expulsam bandidos
De sua cidade,

Você que é ligado
Nos telejornais,
Que é informado,
Que sabe demais,

Que dá o seu voto
Em toda eleição
Para quem combate
A corrupção,

Você que é contra
A patifaria
Do povo imundo
Da periferia,

Você que é cansado
Dessa violência
Contra sua classe,
De toda indecência,

Você que é pudico,
Que é bom cristão,
Que cuida da vida
E da vida do irmão,

Que faz os seus planos
Pra ter mais conforto,
Pisando e pisando
Em cima dos outros,

Você que se acha
O bom cidadão,
Prepara que a vida
Não é fácil, não!

Pois de onde veio
Há desigualdade
Que só foi gerada
Por cumplicidade

De toda sua classe
Que é elitista,
E as classes mais baixas
Reclamam justiça,

Reclamam suas vidas,
Reclamam vingança!
A sua riqueza
Não compra esperança.