Respeite a arte! Ao reproduzir em outros lugares a obra de algum artista, cite o autor. Todas as poesias aqui presentes foram escritas por Mao Punk.

Visite também meu blog de textos: RESQUÍCIOS DEPRESSIVOS, SUJOS E NOJENTOS .
Textos que expõem a fragilidade e indecência humanas de forma irônica, metafórica e sem embelezamentos.

sábado, 31 de dezembro de 2022

CAFÉ QUENTE

Meio-termo?
Os lábios
Não merecem.
Café e afeto mornos
Não aquecem.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

O TOQUE

Sei que parece inacreditável,
Mas eu vi o que aconteceu:
Uma Borboleta tocou o Mar
E todo o Mar se derreteu.

domingo, 20 de novembro de 2022

POESIA PÓSTUMA XII

Nova morte é o que me resta.
Poema feito,
Velório em festa!

terça-feira, 15 de novembro de 2022

VITÓRIA

Fracasso é quase tudo
Que a própria vida é.
Ser vitorioso
É fracassar em pé.

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

NEUROQUÍMICA

Será
Que tudo
Seria sina?
Ou só
Que seja
Serotonina?
Se tanto
falta,
Me caberia?
Se algo
Sobra,
Me poesia.

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

DOS VENTOS

Soprou, o vento, a trégua inesperada.
Veio quase do nada, assobiando,
Tal qual o próprio ar se renovando
Ao fim de uma estação ora acabada.

Então observei à minha volta
Com olhos de quem fora intrigado
Se havia algo no clima alterado,
Se o tempo poderia dar resposta.

A mesma estação permanecia,
O que por si não justificaria
Essa súbita brisa me tocando.

Mas tua atenção se fez presente
E assim notei imediatamente:
Era tua presença em mim soprando!

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

SOSSEGA, POETA!

Sossega, poeta! Aquieta!
Ninguém vem pelo que escreve,
Nem fica pelo que lê.

Sossega, poeta! Aquieta!
Hoje verso ignorado.
Amanhã outro a nascer.

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

SONETO DE SEXTA-FEIRA

Silêncio! Há um barulho em algum canto!
Parece o assobiar de um passarinho.
Talvez, se procurar, encontre o ninho
De onde surge o som como acalanto.

Quem sabe, na verdade, esse barulho
Seja um sino dos ventos ressoando?
Mas este arrepio em mim soprando
Parece me dizer vir de outro rumo.

Escuto com atenção e me dou conta
Que todo este barulho que desponta
Era dentro do peito de onde vinha:

É do meu coração que acelera
E faz soar o som de primavera,
Porque a sua mão tocou a minha!

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

FÔLEGO

Quem ao vendaval retorna
Esperando novos ares
Não encontra solução:

Gasta o fôlego restante
E não pode ir adiante
Se jogando ao furacão.

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

AMOR DO SUL

Tanto me marcara que ainda hoje sinto
Cada vento teu que tuas asas sopram
E as tuas cores quando ao Mar se voltam,
Como na beleza de um quadro infinito!

Tanto me tocara! E mesmo neste instante,
Sinto ainda a força por qual fui tocado,
Como se o meu coração encasulado
Por fim se rompesse e abrisse ao horizonte

O caminho ao céu! Voara a Borboleta!
Mais altiva ao ar do que qualquer cometa,
Mais impactante que astro incandescente!

Vi nascer em mim um bem-querer alado,
Vi voar além de um Mar tão limitado,
Vi morar em mim um amor permanente.

quinta-feira, 7 de julho de 2022

SONETO DE AMOR CONCRETO

A resposta surge muito prontamente
A quem porventura tem me perguntado:
"Sobre amores vindos e concretizados,
Quantos doces lábios foram, ternamente,

Pelos calorosos lábios teus beijados?".
Mas minha resposta, surpreendentemente,
Surge como fato um tanto diferente.
Eis que então destoa do que é esperado:

"Eu vivi amores que, provavelmente,
Poucos poderão viver intensamente,
Eu concretizei amores abastados!

Mas de meus amores, curiosamente,
Nenhum beijo dado, pois infelizmente,
Eu vivi o amor sem nunca tê-lo ao lado."

segunda-feira, 16 de maio de 2022

HAIKAI ESPELHADO

Eu fui espelho.
Meus olhos só brilharam
Porque te vejo.

domingo, 15 de maio de 2022

SONETO INQUIETO

Eu cedo à inquietação que me sussurra
E essa inquietação a mim segreda: 
"Sou parte do sorriso que te alegra",
Zombando, com razão, inda murmura:

"À parte do transtorno que te causo,
Sou eu que te elevo os pensamentos
Ao transformar em versos teu tormento,
Outrora só lamento em seu acaso".

E eu, por minha vez, já contentado,
Confesso à inquietação, com riso dado,
Um riso que se ri ao ser rendido:

"Tens a razão", prossigo emocionado,
"Não haveria verso algum brotado
Sem toda inquietação que andei sentindo".

quinta-feira, 28 de abril de 2022

DE TANTO EM TANTO

Não há vez sequer que me aconteça 
De te olhar e não sentir desejo.
A vontade surge se te vejo,
Faz-me querer ser quem te mereça!

Não há vez sequer que não me cresça
A vontade de sentir teu beijo.
Para além de um rápido lampejo,
O desejo finca a sua presença!

Mas é natural que assim seja!
Quem te vê por certo te almeja,
Pois não se resiste a tal encanto!

Porém, noutros, o desejo passa,
Enquanto que em mim a tua graça
Só se faz crescer de tanto em tanto!

domingo, 27 de março de 2022

DANIEL E O SOL GEOMETRICAMENTE AJUSTADO

Treze anos depois e o Sol é outro.
Não há molduras que limitem seu brilho.
Tudo é desconhecido, tudo é novo,
Mas o endereço do amor é o mesmo.
Só o caminho é que está diferente!
O ar está diferente. A vida está diferente.
A vida é outra e não cabe entre grades.
Daniel disse que um anjo lhe foi enviado.
Hoje nasceu um anjo da voz de um homem.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

POESIA PÓSTUMA XI

A sensação do nada me atormenta, 
Atinge-me o vazio do que me resta.
É certamente o fato que me atesta
Não pertencer aos vivos do planeta.

Como se eu degustasse a morte lenta,
Aos poucos dilacero a carne viva
Até não sobrar carne, nem saliva,
Restando ao léu a carcaça cinzenta.

Sou eu esta carcaça escanteada,
A pedra, o chão, o piso, o pus, o nada,
A própria irrelevância em sua essência,

Um morto a se sentir como piada,
Risível pelo rumo de sua estrada,
Apodrecendo da própria existência.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

NINA

Como fosse um sonho, ouço soar sinos
Quando tuas palavras, para mim tão caras,
Surgem com a força de uma coisa rara
Que conforta a vida de seus desatinos.

Chego a pôr em cheque o meu próprio tino:
- "Seria delírio?"- a mente pensara,
Mas tuas palavras me surgem tão claras
Que me fazem grato por este destino.

E o contentamento para o qual me inclino
Surge como a curva fora do caminho
De uma estrada vil que tanto machucara!

Não sei se mereço tanto este carinho.
Se for desvario de um coração sozinho,
Brindo à insanidade que me arrebatara!