Respeite a arte! Ao reproduzir em outros lugares a obra de algum artista, cite o autor. Todas as poesias aqui presentes foram escritas por Mao Punk.

Visite também meu blog de textos: RESQUÍCIOS DEPRESSIVOS, SUJOS E NOJENTOS .
Textos que expõem a fragilidade e indecência humanas de forma irônica, metafórica e sem embelezamentos.

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

DA ETERNA CERTEZA

Do passado, 
Nenhum engano:
O tanto que te amei,
Te amo.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

FELICIDADE

Ser feliz 
É um erro
Conceitual.

Felicidade
É um respiro
Ocasional.

domingo, 13 de dezembro de 2020

SENTENCIADO

Tudo que é real 
É fato que finda;
Tudo que é ilusão
É ainda.

Tudo que fenece
Amarga a língua;
E o que permanece
Míngua.


terça-feira, 24 de novembro de 2020

DENTE A DENTE

Cansado de fugir da realidade, 
Encaro meus fracassos frente a frente,
Agora olho no olho e dente a dente,
Assumo os anos em que fui covarde.

Pois coleciono há anos, ressentido,
Derrotas de uma vida amargurada,
Tentando ignorar, na caminhada,
Resquícios que me deixam mais ferido.

Mas estou farto de ser derrotado
E ao cair no chão, desanimado,
Sequer olhar nos olhos do algoz.

Caí, perdi a luta, isto eu assumo!
Mas desta vez, ao chão, terei o prumo
De encarar a dor, carrasco atroz!

domingo, 27 de setembro de 2020

SONETO PARA ANOITECER PASSADO

Sofrer a dor como se fosse afago,
Sentir o peso qual fosse uma pluma,
Deixar que cada corte n'alma nua
Me seja qual carícia em toque raro,

Pois não se cura o peito sem verdade,
Não se supera o luto sem tristeza,
Que desça de meus olhos correnteza,
Que afogue a ilusão da ingenuidade!

Que eu sofra o que tiver que ser sofrido,
Que o peito grite a dor e seja ouvido
Por esta mente tão atormentada!

Pois sei que sem a dor que hoje afeta
Não haveria a cura que desperta
Para seguir o Sol noutra alvorada.

domingo, 20 de setembro de 2020

DEIXA-ME VIVER EM PAZ MINHA TRISTEZA

Deixa-me viver em paz minha tristeza
Que a tristeza hoje é meu maior sentido,
Pois no amornecer do que venho vivido,
Foi meu sentimento de maior grandeza.

Deixa-me sentir a estranha natureza
De experimentar meu luto desmedido
A encostar no peito onde fui ferido
E por onde há pouco havia chama acesa.

Deixa-me na paz desta imensa certeza
De que a vida exige que haja frieza.
Deixa-me esfriar do que venho sofrido.

Deixa-me viver em paz minha tristeza,
Pois prefiro a dor repleta de clareza
Do que a ilusão de um riso não sorrido.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

POESIA PÓSTUMA IX

Saíra eu da escura cova que me abriga. 
Os olhos inda cheios duma fria terra,
E a putrefação funesta que me encerra
A corroer-me o resto da matéria fria.

O passo arrastado, o corpo que concerne
Ao moribundo ritmo dos passos dados,
Que tanto esforço faz sem nada alcançado,
Confunde-se afinal c'o rastejar de vermes.

Sou eu matéria morta que por inocência
Ousou sair da tumba por inconsequência,
Deixou o seu sepulcro num descuido tolo.

Pois volte, morto, volte à cova, sua essência!
Deixe que o silêncio seja a indulgência
A confortar o escuro breu do eterno sono.

sábado, 12 de setembro de 2020

POESIA QUASE ÓBVIA

O que é que do nada
Dá um calor no peito
E vem um riso bobo
No próximo momento
E um suspiro fundo
Soando envolvimento
E tudo que nos surge
Pulsando em pensamento
É o desejo vivo
De todo sentimento?
O que é que do nada
Nos traz súbito medo
E quando afastado
Traz pranto escorrendo
E um vazio estranho
Que vai acontecendo
Como se algo grande
Fosse então se perdendo?
Qual nome arriscaria?
O que isso seria?
Quantas vezes na vida
Algo assim surgiria?
O nome pouco importa
Quando isso nos acena.
De tudo o que sentimos
O que é que vale a pena?

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

SONETO À BORBOLETA

Roubara-me a frieza que havia,
Tomou-a despretensiosamente,
Pusera em seu lugar algo crescente
Que ainda hei de saber o que seria.

Deixara-me exposto à primazia
Das primaveras antes não presentes,
Florira meus jardins então ausentes
De cores tais, de finas alegrias.

Eu temo e desconheço, todavia,
A sensação que outrora não sentia,
Porém não há temor que não se enfrente,

Tal como a borboleta que escondia
Em seu casulo o medo, mas um dia
Saíra alçando voo livremente!

domingo, 2 de agosto de 2020

SONETO ABREVIADO

Abrevio fins, não mais demoro.
Quanto mais explícito o desgaste,
Mais torna-se breve o resgate
Do respeito próprio por decoro.

Mais merecimento tenho tido
Do quanto de mim tenho doado,
Reconhecimento agora dado
Por quem mais fiel a mim tem sido:

Reconheço, eu mesmo, empenho feito!
Não mais ao desdém eu me sujeito,
Sou eu mesmo meu maior cuidado.

E tal qual conheço o que é defeito,
Posso admitir, a meu respeito,
O valor que tenho e é desprezado.

sexta-feira, 24 de julho de 2020

ALHEAMENTO

Do lado de fora
A flor ainda cresce,
Tudo que é de praxe
Ainda acontece,
Tudo que é inviável
Ainda padece,
Tudo que é efusivo
Ainda estremece,
O que é do passado
Ao tempo fenece,
O que é do presente
Ora permanece.
O que é do futuro
O tempo enrijece.
Do lado de dentro
Nada é o que parece.

domingo, 15 de março de 2020

Sem título

Pareceu que o Sol amanheceu brilhante,
Mas olhei o céu, apenas cinza havia!
Foi quando notei que o brilho radiante
Surgiu quando eu vi sua fotografia!

domingo, 23 de fevereiro de 2020

POESIA PÓSTUMA VIII

A multidão passou por mim.
Meu corpo não é o que esperam.
Minha carne é folia para vermes.
Meu espaço nunca esteve no mundo.
A multidão, não sei se ela sabe,
Também não tem espaço.
Tudo é aparência. Tudo é cortina.
Há um morto na poltrona da frente.
Há um morto que não bate palmas.
Mas o palco é mais animado,
O palco é mais confortável.
Parece. Daqui parece.
Mas mortos não sobem nos palcos.
A multidão passou por mim.
O corpo exala morte.
A carne expele a angústia.
Mas ninguém sabe o cheiro da morte,
Ninguém sabe que cor tem a angústia.
O palco, a passarela, o mundo,
Tudo em outro patamar...
Não há espaço para os mortos.
Meu corpo permanece jogado.
Meu corpo no espaço alheio.
Vagueio, desencarnado, entre cores.

sábado, 18 de janeiro de 2020

EU TE GOSTO TANTO

Eu te gosto tanto
E esse tanto cresce!
Eu te gosto tanto
Quanto o que merece!

Eu te gosto muito,
Tanto que suspiro!
Eu te gosto muito
Mais do que refiro!

Eu te gosto sempre,
Um gostar bonito.
Eu te gosto além,
Gostando infinito.

Eu te gosto tanto
Quanto eu puder!
Gosto como amiga
E como mulher.

Eu te gosto tanto,
Tanto que te quero!
E te quero livre,
Livre é como espero.

Eu te gosto tanto...
Não sei te explicar!
Só sei que te gosto
E sempre vou gostar!

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

SONETO DE ENCANTO CRESCENTE

Sempre que te vejo algo acontece:
Como quem por ti fosse encantado,
Sinto o meu olhar capturado
Como se ao redor mais nada houvesse.

E se acaso há, perco o interesse,
Pois meu interesse está voltado
Para teu encanto. Impressionado,
Sinto que o encanto apenas cresce!

Junto, uma vontade me aparece:
Quem me dera ser quem te merece
Para que eu por ti fosse beijado!

E ao invés do encanto que fenece
Ao toque do beijo, o que viesse
Fosse mais encanto e beijos dados!