Respeite a arte! Ao reproduzir em outros lugares a obra de algum artista, cite o autor. Todas as poesias aqui presentes foram escritas por Mao Punk.

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Textos que expõem a fragilidade e indecência humanas de forma irônica, metafórica e sem embelezamentos.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

CONCRETIZAÇÃO

Eu te amo tanto que nem tento
Explicar nos versos o tamanho!
Tentar explicar é ledo engano
De uma ilusão do pensamento!

Só sei que te amo sem medida,
Sem explicação que satisfaça.
Eu te amo quase que de graça
E te quero amar por toda a vida!

Mesmo que distantes pessoalmente,
Sinto o teu abraço envolvente
E até sou capaz de em pensamento

Sentir os teus lábios gentilmente
Me tocarem a boca e, sutilmente,
Nos amarmos sem impedimento.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

SONETO DE AMOR E DESEJO

És obra inalcançável, de fina feitura,
Figura de perfeita imagem avistada!
És dona de beleza muito agraciada
De traços encantados, de ímpar candura!

É tanto que não posso encontrar a cura
Para a vontade viva, em peito enraizada,
De ter pelos teus lábios a boca tocada,
De sentir em teu beijo o fim desta procura!

Pois toma-me o desejo vendo tua figura,
E temo que o poema perca a compostura,
Mas como disfarçar se és tão almejada?

O pensanto muda, meu peito murmura,
Ao ver a perfeição de tua formosura,
O tanto que te amo, o quanto és desejada!

terça-feira, 20 de agosto de 2019

A FONTE

Permaneço inquieto frente ao fato
De haver questão tão inconclusa:
De onde vem beleza tão difusa,
Tanto que parece um desacato?

Não sei precisar, assim, no ato.
É uma questão por si confusa!
O que posso ver logo te acusa,
Pois te olhar traz este encanto lato.

E se vem de ti, como sou grato
Por poder te ver! Quem dera ao tato
Pudesse a questão me ser conclusa

Ao te oferecer meu melhor trato!
Assim, para além de teu retrato,
Afirmar no feito como és musa!

segunda-feira, 15 de julho de 2019

POESIA PÓSTUMA VII

Corpo frio. O ar já não me influi.
Já não sinto pulso, nada sangra.
Rigor mortis. Não há mais demanda.
Condição final que a mim inclui.

Eis que a cadavérica frieza,
Qual maior certeza que houvesse,
Toma o coração e o enrijece,
Livrando o defunto da tristeza.

Desta inevitável experiência
Sinto que esta morte foi clemência.
Continuo aqui, porém mais vivo.

Que contradição revela a cena!
Quando morre um coração que pena,
Surge um novo ser mais redivivo.

terça-feira, 9 de julho de 2019

SONETO COLATERAL

Parece que acabara a poesia
Deixando certo vão em minha história.
Fugira o sentimento de outrora
Que antes tanto o peito carecia.

Sumira a emoção que me fazia
Acreditar no eterno, muito embora
Ainda sinta, em suma, neste agora,
O peso do que antes eu sentia.

Mas é um peso morto, eu diria.
Uma saudade estranha, uma agonia,
Uma lamúria de aflição inglória!

Um misto de amor que não se esfria
Com a certeira ausência que alivia
Pulsando tristemente na memória.

sexta-feira, 15 de março de 2019

SONETO À TUA IMAGEM

Se a cada aparição de tua pessoa
Que me fizesse suspirar largado
Meus versos fossem para ti doados,
Sequer me sobraria um verso à toa!

Pois cada poesia que eu fizesse,
Com todas as virtudes que são tuas
Expostas, ao preencher as folhas nuas,
Seria pouco frente ao que mereces!

Mas posso, a cada hora que te vejo,
Elogiar-te, bela! A cada ensejo,
Eu posso admitir em meu suspiro

O quanto me encantas! E eu confesso:
Se me faltam palavras e os versos,
É só porque de sobra eu te admiro!