Respeite a arte! Ao reproduzir em outros lugares a obra de algum artista, cite o autor. Todas as poesias aqui presentes foram escritas por Mao Punk.

Visite também meu blog de textos: RESQUÍCIOS DEPRESSIVOS, SUJOS E NOJENTOS .
Textos que expõem a fragilidade e indecência humanas de forma irônica, metafórica e sem embelezamentos.

domingo, 30 de junho de 2013

UM VERSO NO MEIO DO CAMINHO

Vê se pode:
Botaram verso no caminho do poeta

(Vocês devem saber que o poeta nem sempre escreve versos,
Apenas coleta os versos que encontra pelo caminho,
Escondidos por entre casas, caos, cacos e coisas),

Quase que tropeça, coitado!
Mas ao invés disso, sentiu em seus passos essa parte de poema,
Pegou o que encontrou,
Juntou com outros versos que estavam no bolso,
Mais outros que estavam em mãos e

Caso resolvido!

Poeta não tropeça, faz obra!

segunda-feira, 24 de junho de 2013

PRETENSIOSAMENTE POETA

Nas primeiras vezes que me chamaram de poeta
Contive meu sorriso.
Pequei.
Prendi por detrás dos lábios mais uma poesia.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

SONETO DE REVOLUÇÃO

Levanta-te, povo! Mas não a bandeira!
A causa do povo não cabe em um pano.
No canto do hino há grito tirano,
No verde-amarelo há dor sorrateira.

Levanta-te, povo! Quebrando a fronteira!
Sem pátria, sem mestres, sem líder, sem amos.
O punho cerrado, os gritos que damos,
Farão estes panos virarem fogueira!

Levanta-te, glória! Não mais prisioneira!
A causa do povo é a causa primeira,
A ordem burguesa não reconheçamos!

E quando surgir a revolta certeira,
Por cada esperança que o povo semeia,
Haverá de ser Primavera onde estamos.

CRÔNICA DO PRANTO DELA e PALAVRAS CALADAS QUE AGORA SÃO NOSSAS

Não pude entregar os versos a ela.
Ela chorava. E não pude entregar os versos a ela.
Não consegui romper o pranto com a poesia.
E por não o fazer, no meu peito também
Há um pranto desconsolado, frustrado.
Ah, se ela soubesse que havia verso!
Ah, se ela soubesse que seu pranto é o meu!

Apenas a vi sem querer. E a vi chorar.
Decerto que nunca mais, em momento algum,
Tornarei a vê-la. Mas o pranto dela é meu pranto
E sua dor é a dor que ela deixou em mim.
Sua dor é todo verso que escrevo.
Sua dor é a poesia que tenho comigo.

Não pude entregar os versos a ela,
Mas eu os escrevi. E não posso, por nada,
Deixá-los morrer. Alguém os necessita!
Portanto exponho aqui nossas dores,
Exponho nós dois, como um, nestes versos
Que eram tão dela, tão eu, tão nós...
E agora são todos, são versos de todos!

Palavras Caladas Que Agora São Nossas:

“Não há pranto que não regue!
Este sal que cai do rosto
Nutrirá, com novo gosto,
O sorriso que prossegue.”

terça-feira, 11 de junho de 2013

sábado, 8 de junho de 2013

sábado, 1 de junho de 2013

DESUSO

Deixarei fora de mim tudo aquilo em desuso:
Ideias, pensamentos, pessoas, sentimentos...
Não serei escravo das construções erradas que fiz.
Não sou arquiteto para me arruinar com o que desabou. Sou poeta!

Não sou sequer relevância em qualquer coisa.
Sou apenas este instante que já não é mais. Passou.
E agora ainda é outro. E já foi. E assim se vai. Ou vou.
O que importa, afinal? "Afinal". Remetendo à ideia de fim.
Que fim vale a pena o desgaste do agora?
O resgate do agora perdido por nada?!
Não mais! Que o mais é excesso de tempo no tempo.

Deixarei fora de mim tudo aquilo em desuso:
Versos velhos, papéis velhos, meu velho humor envelhecido...
Fora de mim, pois o jardim da vida é infinito!
Se a velharia for flor, colherei quando me convier.

Ademais, não sou mais que o segundo que passa,
Que o ar sujo que passa, que a vida que passa...
Não sou mais que alguém que passa sem vida,
Sem carregar em si qualquer projeto de existência.
A diferença está no entendimento de que passo.
Eles que passem sem saber, sem sentir, sem viver!

Não sou filósofo, não sou psicólogo, não sou médico.
Sou poeta. E deixo tudo o que não for rimar em desuso.
Deixarei fora de mim tudo aquilo que não abrigar meus versos,
Meus versos imediatos, meus versos desesperados, meus versos!

Adeus, oh, restos!
Adeus, ideias! Adeus, pensamentos! Adeus, pessoas! Adeus, sentimentos!
Não serei escravo dos problemas tardios, vadios, passados...
Não sou historiador para estudar minha história. Sou poeta!
E um poeta nunca aprende. Jamais!



sexta-feira, 31 de maio de 2013

SONETO A ELA

Um medo que não fere atinge o peito,
Sorriso ao medo surge acompanhado.
Sem nada resistir, sou apanhado.
À sorte da incerteza estou sujeito.

Qual fosse mais vital, menos defeito,
Aquilo que é incerto é declarado,
Assim como o que é certo está negado
E o mistério é dado por direito.

Mas eu sorri! A causa deste efeito,
Na linha entre o perfeito e o imperfeito,
Faz deste medo assombro contemplado.

Pois tu surgiste viva! E neste feito
Deixaste, além do medo e deste preito,
Um coração poético encantado.


quarta-feira, 29 de maio de 2013

FARTURA

Que falte a água que mata a sede,
Que falte à fome qualquer comida,
Mas não me falte, jamais me falte,
A poesia de cada dia!


Sem título, maio de 2013

Deitar sobre o verso,
Acordar sob a poesia.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

O OMBRO DA LITERATURA

A Poesia me rendeu lembranças,
Rendeu-me o pranto antes sufocado,
Rendeu-me o lenço bordado de letras,
Rendeu-me o ombro da literatura.

A Poesia me rendeu a vida!
Rendeu-me morte seguida de morte,
Rendeu-me as vidas, infinitas vidas,
Que se seguiram quanto mais morria!

A Poesia me rendeu recanto,
Também abismo para minhas dores,
Também a cela de minhas prisões
E a liberdade de quebrar correntes.

A Poesia não se cala nunca!
Ouça c'os olhos este grito alto!

A Poesia me rendeu sorrisos,
Rendeu-me as asas que tenho na mente,
Rendeu-me o colo quando fui perdido,
Rendeu-me a paz presente em desesperos.

A Poesia me rendeu loucuras,
Rendeu-me a perda de qualquer juízo,
Rendeu-me a calma do que foi preciso,
Rendeu-me o mundo que existe em mim.

A Poesia me rendeu carinho,
Rendeu-me o amor de fato verdadeiro,
Rendeu-me o olhar além do mundo sujo,
Rendeu-me a própria Poesia viva!

A Poesia me rendeu p'ra sempre
E para sempre eu me rendi a ela!

sexta-feira, 17 de maio de 2013

SONETO DO SORRISO ILUSTRE

Como alguém que orna a branca folha nua
E da virgem cor faz arte concebida,
Tu trouxeste alento à mente adoecida
Ao me colorir co'a fina arte tua!

Desenhaste um traço, raio de candura,
Na imensidão do vão destas feridas.
Encheste de belas luzes coloridas
Onde outrora havia apenas sombra escura.

Como pode haver em mim esta fissura
Que me tira o senso, o siso, a compostura,
Se tu inda és p'ra mim desconhecida?

É que desenhaste em mim alguma cura,
Tal que o pensamento, quando te procura,
Encontra nos lábios um sinal de vida.



quinta-feira, 9 de maio de 2013

POESIA NOJENTA

Na louça brilhando,
Na água, boiando,
Deixei uma parte de mim.

Em meio ao cagaço,
Caindo aos pedaços,
Deixei uma parte de mim.

Liberto das regras,
Saindo das pregas,
Deixei um pedaço de mim.

Sem nenhum apego,
Caindo do rego,
Deixei uma parte de mim.

Que bom que seria
Se, por ironia,
A vida também fosse assim:

A cada pedaço
Em que me desfaço,
Mais leve eu ficasse no fim!

terça-feira, 23 de abril de 2013

LOCAL

Toda ideia do que mais desejo está em mim. Então por que me sentir deslocado se sou meu próprio espaço, cheio de coisas que mais quero?

Tudo o que mais desejo, por assim dizer, sou eu. Sou eu, pois sou a ideia que carrego. E carrego anseios. Sou os anseios transbordando em mim mesmo.

Sou o anseio de mim mesmo em um espaço que é meu. E é meu por eu ser esse próprio espaço.

Sou eu a totalidade à parte do resto. Sou a poesia que espero. Estou me esperando já estando aqui.

E lá fora tudo é cinza. Mas lá fora não sou eu.

Descobrir-me-ei a mais.


quarta-feira, 17 de abril de 2013

terça-feira, 16 de abril de 2013

INDEFINIDO

Um bem gostar que não se sabe como
E nem se explica, mesmo tendo causa,
Que pede fogo quando o peito abrasa
E chora água quando aviva o fogo.

Se mais sentido, menos faz sentido;
E quanto mais se sente, mais se cresce;
E dá mais vida enquanto se padece,
Mais aparece quanto mais perdido.

Perdidamente, enfim, é como vivo,
Que já não sei versar um só motivo
Da causa justa que injustamente

Toma-me o peito, mesmo já preenchido.
Hei de viver, assim, indefinido,
Porque te amo, Amor, perdidamente!


domingo, 14 de abril de 2013

quarta-feira, 10 de abril de 2013

PERDÃO OU CASTIGO

Há tempos que não verso como deveria.
Perdoa, Poesia! Perdoa, Poesia!

Não vejo a beleza que eu poderia.
Perdoa, Poesia! Perdoa, Poesia!

O mundo mundano mandando no dia.
Perdoa, Poesia! Perdoa, Poesia!

Perdoa ou castiga-me de forma fria:
Com verso, Poesia, de dor e agonia.



sábado, 6 de abril de 2013

O GRITO


A poesia GRITOU! – TOU! TUM! –
Fez um eco-o-o-o...
                            Um treco estranho!

Tamanho foi o susto do sujeito
Que, dentro do peito, a batida que fez

Fundiu-se de vez
À poesia que GRI – TUM! TUM! – TOU-ou-ou-ou...


terça-feira, 2 de abril de 2013

POEMA DE AMOR

Há quem dê amor no toque,
Há quem dê amor no beijo,
Há quem dê amor na troca
Entre dois (ou mais) desejos.

Minha boca beija o nada
E meu tato toca o vento,
Minha troca se baseia
Em trocar de dor no peito.

Mas amor também me toma,
De amor também sou feito!
E o amor que em mim aflora
Posso dar de outro jeito.

sexta-feira, 29 de março de 2013

SEM ESCOLHA

Fosse escolha ser poeta,
Isso eu não seria, não!
Não aceito que o poeta
Seja assim por opção.

Ser poeta por escolha?
Que tamanha aberração!
Não se escolhe ser poeta,
Ser poeta é condição!



quarta-feira, 27 de março de 2013

POESIA INERTE

A
     I    N    É    R CIA
                                    age;
E o  poeta interage.

segunda-feira, 25 de março de 2013

ROMANCE URBANO DE DEZ MINUTOS EM LINGUAGEM POPULAR

Depois de tudo
O que vivemos,
Esse adeus
Sem mais nem menos!

O que vivemos,
Todo o romance,
Foi poesia
De dois amantes.

E então o adeus
De desenganos
Pouco depois
Que nos olhamos.

Rápido assim!
Pois essa história
Aconteceu
Na trajetória

Dessas pessoas
Num fim de tarde.
Foi no metrô
Desta cidade.

A estação
Era lotada,
A plataforma
Congestionada.

Foi nessa cena
Que nos olhamos
E o romance
Nós começamos.

E nesse encontro
De nosso olhar
O trem chegava
Para findar

Essa história.
Na ocasião
Nós dois entramos
Num só vagão.

Mas logo veio
A despedida.
Desci do trem,
Foi a partida.

E nunca mais
- triste mazela -
Eu viverei
Dos olhos dela.

Depois de tudo
O que vivemos,
Esse adeus
Sem mais nem menos!

sexta-feira, 15 de março de 2013

ESPELHO DA ANGÚSTIA

Aos amargurados como eu escrevo,
A quem desconhece a boa-venturança,
A quem já não acha em si a esperança
E não vê em si senão o desespero.

Que será de nós? Quem sorrirá primeiro?
Já não há em mim sequer a confiança!
Veio a tempestade, mas nunca a bonança!
E em seu lugar o incômodo certeiro.

A quem como eu doou-se por inteiro,
Mas não encontrou sorriso verdadeiro,
Sendo alvo das pedras que a vida lança,

Deixo meu poema sem nenhum conselho,
Pois é natural que o verso seja espelho
Desta angústia fria que nunca descansa!


terça-feira, 12 de março de 2013

COISA DE POETA

Coisa de poeta
Andar à busca da busca,
Olhar para o nada e para tudo,
Temer, encarar, suspirar,
Rabiscar qualquer coisa sem forma,
Sem motivo aparente
(Mas como poeta, bem sei que já existe motivo o bastante em escrever sem motivo).

Coisa de poeta
Achar que certas coisas de poeta parecem até fugir do que é poesia.
Mas o que é poesia senão exatamente essas coisas?

Coisa de poeta
Fazer da lembrança verso e pavor...
Acho que é isso.
E se assim for,
Hoje sou o melhor poeta do mundo!

segunda-feira, 11 de março de 2013

DA ESPERA PELO ALÍVIO DA MORTE OU QUALQUER SENSAÇÃO SEMELHANTE

Sinto que morrerei em breve.
Não literalmente, mas morrerei.
Talvez por ora seja só o medo.
Nunca sabemos o quanto podemos sofrer na morte
Até que a morte desponte.
O primeiro a morrer é o próprio medo.
O medo morre antes de nós.
Assim, consolados de que o fim é inevitável,
Não há mais morte qualquer que doa.

Sinto que morrerei em breve,
Como tantas outras vezes já morri.
E não haverá flor, dor ou festa,
Nem caixão, nem terra, nem confete.
Será a morte pura. Será o fim e ponto.
E do ponto despontará qualquer coisa,
Qualquer resto de existência,
Qualquer semente de qualquer natureza
Que um dia morrerá também.

domingo, 10 de março de 2013

TOTALIDADE

Chegará o dia
Em que nada chegará.
E nesse dia,
Sem nada esperar,
O dia será vivido.

sábado, 9 de março de 2013

SONETO DAS MORTES

Eu morri mais vezes do que deveria,
Já desperdicei de mim muito sentido
E nenhum sorriso que tenha sorrido
Fez valer as horas em que eu morria.

Todas estas vidas que assim perdia
Hoje preferia não as ter perdido,
Preferia nunca ter me iludido,
Evitar as mortes qu'eu próprio traria.

Mas trouxera a morte! A morte aparecia
Como se ela fosse o próprio dia-a-dia,
Quantas cem mil vezes me fiz falecido!

Mas ao lamentar as dores que sofria,
Surpreendentemente, aqui descobriria:
Outra vez morri! De novo fui vencido!


quarta-feira, 6 de março de 2013

MORTALHAS

Quando eu morrer,
Que cuspam em meu caixão,
Escarrem em cada fração
Do monstro que jaz ali.

Se merecer,
Que deixem depois a flor
E cubram com todo o amor
O exemplo que construí!

domingo, 3 de março de 2013

SONETO DA TROCA DE OLHARES

Quase de repente sinto um arrepio,
Nada que por ora tenha me afetado.
Era brisa nova em sopro agraciado
Ou fosse talvez um vendaval tardio.

Nisto não há nada que me seja hostil,
Não fosse o suspiro por mim suspirado,
Mas como conter o peito emocionado
Se por ele tenho condição servil?

Quase de repente sinto um arrepio,
O motivo justo do que se sentiu
Deixarei nos versos meus anunciado:

Como se apagasse a dor que me feriu,
Avistei os olhos teus! E assim sorriu
Meu olhar dentro do teu, realizado!