Você é saudosista
Da antiga disciplina?
Foda-se você!
Eu quero anarquia!
Você impõe que os outros
Devem ser recatados?
Eu quero a podridão
De nós, mal educados!
Diz sobre seu bom Deus
Que vem trazer castigo?
Porém eu sou ateu,
Seu Deus não está comigo!
Diz que sou marginal
E que mereço a morte?
Que bom que me odeia,
Seu ódio é minha sorte!
Por Mao Punk: Decidi divulgar poesias minhas por email para alguns amigos. Uma amiga, LOah, criou esse blog com tais poesias e me permitiu editá-lo. VALEU,LOAH! Você me ajudou a expandir a expressão! Eis poesias que escrevi entre 2006 aos dias de hoje. Estão fora de cronologia,mas a expressão é livre para isso! Mais uma vez, valeu, LOah! E obrigado a todxs que leem o blog! Sem vocês a expressão ficaria limitada! PAZ E ANARQUIA!
Respeite a arte! Ao reproduzir em outros lugares a obra de algum artista, cite o autor. Todas as poesias aqui presentes foram escritas por Mao Punk.
Visite também meu blog de textos: RESQUÍCIOS DEPRESSIVOS, SUJOS E NOJENTOS .
Textos que expõem a fragilidade e indecência humanas de forma irônica, metafórica e sem embelezamentos.
domingo, 27 de abril de 2014
segunda-feira, 14 de abril de 2014
HEMOGOZINA
Eu sinto emoção
Em rir com quem ri;
E o resto não importa!
Faz meu coração
Jorrar meu tesão
E gozar pela aorta.
Em rir com quem ri;
E o resto não importa!
Faz meu coração
Jorrar meu tesão
E gozar pela aorta.
quarta-feira, 9 de abril de 2014
DESEJO DE POETA
Quis o poeta
Despetalar-te,
Poder despir-te
Parte por parte,
Quisera ver-te
E despudorar-te,
Fazendo arte
Ao introduzir-te.
Ao não poder-te,
Despoetou-se.
Despetalar-te,
Poder despir-te
Parte por parte,
Quisera ver-te
E despudorar-te,
Fazendo arte
Ao introduzir-te.
Ao não poder-te,
Despoetou-se.
sexta-feira, 4 de abril de 2014
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
CHARME
Não há em mim espaço tanto quanto
Neste infinito e eterno céu de estrelas,
Mas estes olhos que brilharam ao vê-la
Quiseram ser teu céu, infindo manto.
Assim meus olhos astros se fizeram,
Pois nada mais definiria o brilho
Que senti radiar sem empecilho,
E eu pensei assim que estrelas eram.
Equívoco este meu! Não poderia
Vir de meus olhos esta luz que havia,
Mas sim de ti, que és a estrela rara!
E meu olhar sem ti nada seria,
Tal como a Lua que não brilharia
Se não houvesse estrela a iluminá-la.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
SONETO FRIO
Minha poesia agora está mudada,
Nela já não cabe sentimentalismo.
Hei de assumir no verso o egoísmo
E toda frieza dele acompanhada.
Nesta poesia tão modificada
Não há de se achar romântico lirismo,
Pois da esperança o nome é cinismo
E a desilusão não vem ornamentada.
Eu tornei-me frio; e fria é a estrada.
Se o que me aguarda ao fim da caminhada
For a dura queda, a queda é empirismo.
Mas nesta frieza ora destacada,
Ao precipitar-me à queda malograda,
Estarei comigo ao despencar do abismo.
domingo, 12 de janeiro de 2014
CIDADÃO DE BEM, HUMANO DIREITO
Você que trabalha,
Que paga impostos,
Que não admite
Que haja um dos nossos,
Que entra em shoppings
Para fazer compras,
Que paga seus carros,
Que arca com as contas,
Você que dá duro
Na diretoria,
Que não se sujeita
A essa anarquia
Dos tais vagabundos,
Desses marginais
Que nunca batalham
Como você faz,
Você que é honesto,
Humano direito
Que respeita as leis,
Que não tem defeito,
Que aplaude bem alto
As autoridades
Que expulsam bandidos
De sua cidade,
Você que é ligado
Nos telejornais,
Que é informado,
Que sabe demais,
Que dá o seu voto
Em toda eleição
Para quem combate
A corrupção,
Você que é contra
A patifaria
Do povo imundo
Da periferia,
Você que é cansado
Dessa violência
Contra sua classe,
De toda indecência,
Você que é pudico,
Que é bom cristão,
Que cuida da vida
E da vida do irmão,
Que faz os seus planos
Pra ter mais conforto,
Pisando e pisando
Em cima dos outros,
Você que se acha
O bom cidadão,
Prepara que a vida
Não é fácil, não!
Pois de onde veio
Há desigualdade
Que só foi gerada
Por cumplicidade
De toda sua classe
Que é elitista,
E as classes mais baixas
Reclamam justiça,
Reclamam suas vidas,
Reclamam vingança!
A sua riqueza
Não compra esperança.
Que paga impostos,
Que não admite
Que haja um dos nossos,
Que entra em shoppings
Para fazer compras,
Que paga seus carros,
Que arca com as contas,
Você que dá duro
Na diretoria,
Que não se sujeita
A essa anarquia
Dos tais vagabundos,
Desses marginais
Que nunca batalham
Como você faz,
Você que é honesto,
Humano direito
Que respeita as leis,
Que não tem defeito,
Que aplaude bem alto
As autoridades
Que expulsam bandidos
De sua cidade,
Você que é ligado
Nos telejornais,
Que é informado,
Que sabe demais,
Que dá o seu voto
Em toda eleição
Para quem combate
A corrupção,
Você que é contra
A patifaria
Do povo imundo
Da periferia,
Você que é cansado
Dessa violência
Contra sua classe,
De toda indecência,
Você que é pudico,
Que é bom cristão,
Que cuida da vida
E da vida do irmão,
Que faz os seus planos
Pra ter mais conforto,
Pisando e pisando
Em cima dos outros,
Você que se acha
O bom cidadão,
Prepara que a vida
Não é fácil, não!
Pois de onde veio
Há desigualdade
Que só foi gerada
Por cumplicidade
De toda sua classe
Que é elitista,
E as classes mais baixas
Reclamam justiça,
Reclamam suas vidas,
Reclamam vingança!
A sua riqueza
Não compra esperança.
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
ELEGIA AO ANO NOVO
O ano passou.
Os dias passaram.
A vida passou.
E todos os dias são a repetição
Do último dia do ano,
Pois termina o dia,
Pois termina a hora,
Pois termina o minuto,
Pois termina o segundo.
O último e o primeiro dia do ano
São as repetições dos demais dias.
Nada de novo,
Nada diverso,
Nada de fato
Inovando o resto.
Quem se renova? Fico pensando,
Será preciso passar um ano
Para que haja alguma vida?
A vida passou.
E todos os dias são a repetição
Do desperdício de quem aguarda,
De quem desiste,
De quem festeja a festa triste
Que só ilude,
Que só engana.
No novo ano,
À sua cama,
Será o mesmo corpo cansado
Que se deitou no ano passado.
E você diz "que neste ano..."
Mas neste ano ainda há fome,
E neste ano ainda há ídolos,
Ainda há o despertador às cinco da manhã,
Há o pão duro na cesta do café da manhã,
Há a pressa no passo e o descompasso,
Há cores que ninguém nomeou
E há estrelas na cidade ofuscadas pela iluminação.
Há, inclusive, a escada rolando,
A bola rolando, a cabeça rolando...
E um calendário satírico trazendo esperanças.
Portanto, é espanto que os fogos no céu
Não digam nada sobre os fogos da terra,
Os fogos que se apagam dos olhos,
Os fogos que disparam das armas,
Os fogos que matam por dentro e por fora,
Os fogos que se acendem do álcool,
Estes fogos que nos desmatam
(Oh, nossa natureza tão frágil)!
Dirão que tudo sorrirá,
Por que então já não sorrir?
Quem definiu a hora exata, o momento?
E quem sorriu durante os meses,
Será que tudo foi traçado
Por mais um risco no calendário?
É mais macio pensar assim,
Que amanhã será o dia.
Que à manhã seremos inteiros.
Hoje é cedo, mas o ano passou.
Os dias passaram.
A vida passou.
E passa. E passa. E passa. E passa...
domingo, 29 de dezembro de 2013
SE A SENSAÇÃO DISPENSASSE OS VERSOS
Se a sensação dispensasse os versos,
Ah, se o sonho dispensasse a dor!
Mas acontece que sou poeta,
Mas acontece que tenho amor.
Se minha vida me dispensasse
De tudo aquilo que me matou...
Mas acontece que a vida é feita
De toda morte que se acabou.
Se a natureza do que eu sinto
Fosse regada com água e só...
Mas acontece que o pranto rega
E o pranto vem do que se fez pó.
E se o poema fosse só pranto,
Por que poeta eu devia ser?
Mas acontece que a poesia
É o sorriso no padecer!
domingo, 22 de dezembro de 2013
ESSE TAL DE ROCK
Mas é que esse tal de rock
Já virou patifaria!
Esse traje descolado
Que se compra em galeria,
Essa gente desbocada
Que se faz de revoltada
Só pra fingir rebeldia.
Com suas músicas pesadas,
Com seus riffs virtuosos,
Acima de outras culturas,
Acima de outros povos,
Reproduzem preconceito,
Mas isso não é direito,
Ignoram mundos novos.
A causa mais importante
É o show que é da pesada,
E os muito, muito machos
vão "catar" a mulherada
Para auto-afirmação
Da sua pose de machão,
Mas de espertos não têm nada.
Cuidado ao andar na rua,
Cuidado com o que veste,
Camiseta do Airon Meide
Pode usar só quem conhece
Quantos discos eles têm,
Quais os RG's também,
Se não sabe, não se mete!
Os roqueiros endoidados
Não se importam com você,
Pois estão mais preocupados
Com CD's e DVD's
Que precisam adquirir,
Se preocupam em conseguir
Companhia pra beber.
Lógico que tudo isso
Não é lei universal.
Há roqueiro que é "do bem",
Há roqueiro que é "do mal",
Mas a quem ao mal é dado
Deixo aqui o meu recado:
We will rock your fuckin' law!
Já virou patifaria!
Esse traje descolado
Que se compra em galeria,
Essa gente desbocada
Que se faz de revoltada
Só pra fingir rebeldia.
Com suas músicas pesadas,
Com seus riffs virtuosos,
Acima de outras culturas,
Acima de outros povos,
Reproduzem preconceito,
Mas isso não é direito,
Ignoram mundos novos.
A causa mais importante
É o show que é da pesada,
E os muito, muito machos
vão "catar" a mulherada
Para auto-afirmação
Da sua pose de machão,
Mas de espertos não têm nada.
Cuidado ao andar na rua,
Cuidado com o que veste,
Camiseta do Airon Meide
Pode usar só quem conhece
Quantos discos eles têm,
Quais os RG's também,
Se não sabe, não se mete!
Os roqueiros endoidados
Não se importam com você,
Pois estão mais preocupados
Com CD's e DVD's
Que precisam adquirir,
Se preocupam em conseguir
Companhia pra beber.
Lógico que tudo isso
Não é lei universal.
Há roqueiro que é "do bem",
Há roqueiro que é "do mal",
Mas a quem ao mal é dado
Deixo aqui o meu recado:
We will rock your fuckin' law!
sábado, 21 de dezembro de 2013
SERÁ QUE É O TREM QUE PASSOU?*
Amor é um trem
Passando por diversas estações,
Carregando e descarregando
Pessoas que passam,
Que passam...
Embarque com cuidado,
Desembarque pelo lado esquerdo do peito.
*Titulo em alusão à canção "Estrada Nova" de Oswaldo Montenegro
Passando por diversas estações,
Carregando e descarregando
Pessoas que passam,
Que passam...
Embarque com cuidado,
Desembarque pelo lado esquerdo do peito.
*Titulo em alusão à canção "Estrada Nova" de Oswaldo Montenegro
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
DOS CONCEITOS
Acordara quase inerte pelo acaso.
Algo anunciara um exaustivo dia.
Na fadiga certa da tarde vazia,
Erguera-se o corpo a exibir descaso.
Erguera-se o corpo a exibir descaso,
E a cada passo que ele então fazia,
Era o triste mundo a vomitar azia,
Era o mundo triste um perdido caso!
Era o mundo triste um perdido caso...
Caberia ao mundo este conceito raso?
Dissertar a vida em si quem poderia?
E feito milagre a agraciar o arraso,
O mundo perdera seu conceito raso
Quando conseguira achar a Poesia!
domingo, 10 de novembro de 2013
O TOPO
Do topo caiu o cuspe.
Do branco topo choveu ofensas.
Do humano topo caiu o mundo
No abismo imundo de suas crenças.
Alguém no topo escutou um ruído.
Parecia vir de lá de baixo. “Não é nada, voltemos a dormir.” E o ruído não
parou. Nem um instante sequer. “Maldição! Parem com esse barulho inútil!” Ah, o
sono era ameno! A cama macia, o lençol lavado! Lavado como? Esse cheiro, eu
conheço? Essa cor de...
Do topo não se vê nada.
Do rico topo tudo é pequeno.
Do alto topo não se vê gente,
Tudo é contente, tudo é ameno!
Amanheceu o dia, mas ainda era
madrugada. Chovia, como sempre. Mas com a chuva matava-se, ingenuamente, a
sede. A chuva construía a base. Pilar tempestuoso. E o guarda-chuva enferrujado nem sequer
salvava o corpo. E para quê? Parecia tudo tão normal. Parecia. Mas ao lado,
ruas lavadas de vermelho. Mas ao lado alguém gritava, alguém gritava, alguém
gritava...
Do topo só existe o topo,
Do altivo topo não há mais nada.
Do ímpar topo cerra-se a vista,
Nem sequer pista de outra
estrada.
Adeus quem é daí. Adeus quem é
de cá. Adeus quem não é de nossa estirpe. Já é hora de abrirmos mão de
irrelevâncias, amores, afinidades. É hora de aceitarmos essa linhagem, essa
linhagem que vem de cima, essa linhagem que não é nossa, mas que há de ser. Que
não conforta, mas há de ser. Que não nos salva, mas há de ser. Alguém sabe o
que está fazendo, há de saber! E bem o sabe! E nós, o que sabemos? E eles? Eu
já não sei.
Do topo dita-se o dia,
Do fino topo dita-se a vida.
E quando olho para este topo
Penso ser hora de dar partida.
terça-feira, 5 de novembro de 2013
O PORTO SEGURO
Eu não tenho um porto seguro
(Ao menos sem ser literário).
Por onde ando não sei se há chão;
E se há chão, não sei se é falso.
Talvez porque não haja no mundo um caminho correto.
Ou talvez todos os caminhos mais certos
Levem ao mesmo piso falso onde hei de afundar.
Afundarei em lanças firmadas ao fundo
Ou a flores perfumadas de cores vivas?
Quiçá fosse a prévia de um enterro comum...
Ou seria o conforto de um funeral merecido?
Mas antes disso, antes do descanso,
Enquanto a alma não está presente apenas
Em poesias – que talvez (e muito provavelmente)
Fiquem esquecidas, ignoradas, subtraídas,
Remetidas ao silêncio do tempo –;
Enquanto o corpo pena e sentir pena é esmola inútil;
Enquanto há olhos não comidos, peito não decomposto,
Pele que quase não serve de alimento;
Enquanto estas pernas e pés se debatem,
Não há descanso.
Não há sequer um porto seguro que não seja literário.
Mas há, pelo caminho, outras flores curiosas;
Há a brisa que muda de direção;
Há estrelas e há até mesmo risos verdadeiros;
Eu juro que cheguei a ver o que seria a Perfeição.
Seria, não fosse o fato de que ela não existe.
Ou quase não existe. E por isso quase a vejo.
E essas flores, essa brisa, essas estrelas,
Esses risos e a quase-Perfeição são versos,
São poesias escritas pela mão do acaso,
São vivências literárias, prévias do que se escreve.
Antes do descanso, hei de caminhar com minhas asas
Por este extenso porto seguro literário.
domingo, 3 de novembro de 2013
LAÇO*
Nós, as flores,
Os céus
E as mãos entrelaçadas
Feito nós, feito flores,
Feito céus.
* Poesia escrita em conjunto com Inaiara Gonçalves
http://www.piipoca.blogspot.com.br/
Os céus
E as mãos entrelaçadas
Feito nós, feito flores,
Feito céus.
* Poesia escrita em conjunto com Inaiara Gonçalves
http://www.piipoca.blogspot.com.br/
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
A MINHA CONFISSÃO DEIXO VERSADA
A minha confissão deixo versada
E nem precisaria tanto esmero.
Nos olhos te diria o que mais quero;
Nos lábios a vontade confessada.
Assim, com a poesia despertada,
Eu sigo a confissão do que espero:
Nos olhos te diria o que mais quero;
Nos lábios a vontade confessada.
Se a poesia fosse declamada
Além da voz, além do verso mero,
Nos olhos te diria o que mais quero,
Nos lábios a vontade confessada.
Mas só tenho estes versos e a estrada.
Se teu desejo me surgisse ao certo,
Nos olhos, os teus olhos mais de perto;
Nos lábios a vontade saciada!
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
RECADO À MADRUGADA
A Madrugada veio me falar:
"Vá dormir, poeta!
Escrever não cura carência!"
Mais decência, Madrugada!
Um dia te verso só pra dizer
Que eu estava carente
E dormi com você.
"Vá dormir, poeta!
Escrever não cura carência!"
Mais decência, Madrugada!
Um dia te verso só pra dizer
Que eu estava carente
E dormi com você.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
A VONTADE É COMO UM FILHO QUE SE CRIA PARA O MUNDO
Criei a vontade
Que agora me tem.
Devia ser minha
E de mais ninguém.
Mas não é só minha
A vontade que atrela,
Porque a vontade
Que tenho é dela.
Que agora me tem.
Devia ser minha
E de mais ninguém.
Mas não é só minha
A vontade que atrela,
Porque a vontade
Que tenho é dela.
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
EMARANHADO
Emaranhado estive
Ao frio, a mim, a nós:
Aos nós que fiz nos fios
Nos fios dos caracóis.
Emaranhava os fios,
Calava minha voz.
A paz e eu calados,
Mão a falar por nós.
Falando pelo toque,
Dizendo que entre nós
Há fios que nos conduzem
A emaranharmo-nos.
sábado, 26 de outubro de 2013
SONETO DAS DORES
Afasta-te da dor, imploro agora,
Que a dor é minha e tu não cabes cá!
Qualquer proximidade a se tentar
Será mais dor surgindo sem demora.
A mim basta este aperto que aflora,
Basta o cansaço de tudo o que há,
Basta a existência vã a se firmar
E toda esta aflição que aqui vigora.
Afasta-te! Faze isto nesta hora,
Um bom conselho nunca se ignora.
Afasta-te que assim tens a ganhar.
Mas de que vale a súplica, por ora,
Se a solidão em si nos apavora?
... E assim as dores vêm a se somar.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
SE POESIA LEVASSE A ALGUM LUGAR
Se Poesia levasse a algum lugar,
Eu já conheceria o mundo inteiro.
Mas Poesia não faz isso, não!
Ela não nos leva a lugar nenhum!
Ela é quem traz o além até nós.
Eu já conheceria o mundo inteiro.
Mas Poesia não faz isso, não!
Ela não nos leva a lugar nenhum!
Ela é quem traz o além até nós.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
VERSOS JOGADOS COMO SEMENTES
Plantei poesia.
Reguei com riso e dor.
Primeiro galhinho que saiu
Foi de esperança.
Continuei a regar
Com água dos olhos
E com saliva que aparece
Quando dá gosto em algo.
Outros galhinhos saíram.
E já vi sementes também!
E continuei a regar.
Até usei adubo do bom,
Aquele adubo
De quando a vida está uma merda.
E a poesia foi florescendo,
Florescendo, florescendo...
E para quem dou as flores no fim?
Deixo no jardim que está em mim.
Se eu quiser, só se eu quiser,
Arranco algum ramo
Que tenha algum tanto
De semente de mim. E então
Se alguém quiser, só se quiser,
Regará este algo qualquer.
Quem sabe eu floresça em alguém,
Quem sabe essa flor a nascer
Seja o jardim que alguém sonhou ter...
Reguei com riso e dor.
Primeiro galhinho que saiu
Foi de esperança.
Continuei a regar
Com água dos olhos
E com saliva que aparece
Quando dá gosto em algo.
Outros galhinhos saíram.
E já vi sementes também!
E continuei a regar.
Até usei adubo do bom,
Aquele adubo
De quando a vida está uma merda.
E a poesia foi florescendo,
Florescendo, florescendo...
E para quem dou as flores no fim?
Deixo no jardim que está em mim.
Se eu quiser, só se eu quiser,
Arranco algum ramo
Que tenha algum tanto
De semente de mim. E então
Se alguém quiser, só se quiser,
Regará este algo qualquer.
Quem sabe eu floresça em alguém,
Quem sabe essa flor a nascer
Seja o jardim que alguém sonhou ter...
domingo, 20 de outubro de 2013
SONETO SIMPLES
Quero amar da forma mais desesperada,
Suspirar como quem perde o ar que resta,
Quero me perder por entre estreitas frestas
De meu coração, das quais farei estrada.
Pois que em meu caminho haja mil ciladas!
Hei de transformar cada armadilha em festa,
Já que a Poesia a cada dor atesta.
Eis que toda dor assim será versada.
E de forma quase que inesperada,
Tudo um dia finda. Antes de acabada,
Toda sensação que passa tão depressa
Há de ser melhor se intensificada,
Pois somente assim será aproveitada!
O inverso é morte e vida já não presta.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
O SOPRO
O sopro que trago no peito
Não sei se é doença
Ou defeiTUM TU Sss...
Talvez seja a poesia
Cochichando versos
Para o coração;
Ou é o coração suspirando,
Poetizando
O que um dia acabará
Para que seja eterno
O que não dura
Para sempre.
O sopro que trago no peito
Doutor aconselhou
Que eu verifique.
Mas diga, doutor:
Há cura para a poesia?
Que não haja jamaiSss!
Não sei se é doença
Ou defeiTUM TU Sss...
Talvez seja a poesia
Cochichando versos
Para o coração;
Ou é o coração suspirando,
Poetizando
O que um dia acabará
Para que seja eterno
O que não dura
Para sempre.
O sopro que trago no peito
Doutor aconselhou
Que eu verifique.
Mas diga, doutor:
Há cura para a poesia?
Que não haja jamaiSss!
sábado, 5 de outubro de 2013
FILOSOFIA SOBRE O AMOR EM FORMA DE POESIA
Penso em rever meu conceito sobre o Amor,
Talvez porque o Amor não tenha conceito.
Pude estar errado o tempo inteiro sobre o Amor,
Talvez porque o Amor nunca está errado.
O errado sou eu, que criei conceitos.
O errado sou eu, que não admito que o Amor
– Ah, o Amor! –, o Amor
é mais livre que eu!
E sou tão tolo que não percebi, ao redor,
O Amor sempre por lá, por aqui, por aí...
Se a poesia que vivo é o Amor que reconheço,
Tudo que fiz de mais profundo era Amor!
Sempre dei Amor em tudo o que pude.
E quando cartas não entregues se calam,
Nas gavetas, nos cadernos, entre folhas,
Então estou calando o Amor próprio,
Já que a escrita é um sentimento íntimo.
Estou calando o Amor que vem de mim,
Estou calando uma carta de Amor!
Amor para quem? Para outrem? Para mim?
Nada importa! Nada disso interessa,
Pois é somente o Amor quem decide
A grandiosidade de si mesmo.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
INESGOTÁVEL
Deixar uma parte de si
Em cada coisa feita
Seria esgotar-se um dia;
Mas sinto-me mais completo
Se deixo uma parte minha
Nas linhas da poesia.terça-feira, 1 de outubro de 2013
EM TEUS OLHOS CARIDADE ou PARA SE LER EM TEUS OLHOS
E se eu lhe dissesse
Que nos olhos teus
Cabem mais poemas
Que nos versos meus?
Cabem mais sorrisos
Que nos próprios risos
Em teus olhos vivos,
Nestes vivos céus!
E se eu lhe pedisse,
Como quem sofreu,
Caridosa ajuda
Destes olhos teus?
Nota-me nos versos,
Neste simples gesto
De me olhar de perto
Pelos versos meus.
Porque nos teus olhos
O que feneceu
Ganharia a vida
Que já se perdeu.
E conseguiria
Tanta poesia!
E assim viveria
O que jamais viveu.
Pois estes teus olhos
Findariam o breu,
Este breu que existe
Nestes olhos meus.
Breu que escurece,
Que a vista anoitece,
Pois o olhar carece
Destes olhos teus!
domingo, 29 de setembro de 2013
sábado, 14 de setembro de 2013
VERSOS RESTANTES
O que sobra de mim
No fim?
Nem a sobra de mim
Me resta!
O que resta de mim
Não presta
Se o que presta de mim
Se foi.
E o que fica de mim
Não sabe
Se a parte de mim
Que sobra
Fica dentro de mim
Ou vive
Neste resto do que é
Você.
No fim?
Nem a sobra de mim
Me resta!
O que resta de mim
Não presta
Se o que presta de mim
Se foi.
E o que fica de mim
Não sabe
Se a parte de mim
Que sobra
Fica dentro de mim
Ou vive
Neste resto do que é
Você.
terça-feira, 10 de setembro de 2013
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