Respeite a arte! Ao reproduzir em outros lugares a obra de algum artista, cite o autor. Todas as poesias aqui presentes foram escritas por Mao Punk.

Visite também meu blog de textos: RESQUÍCIOS DEPRESSIVOS, SUJOS E NOJENTOS .
Textos que expõem a fragilidade e indecência humanas de forma irônica, metafórica e sem embelezamentos.

quarta-feira, 7 de março de 2012

QUEM DEIXOU EM MIM ESTE VAZIO QUE TRAGO?

Eis que a ironia, rude, inquietante,
Dá sua cara à mostra, cheia de gracejo:
Como me fiz cego por tanto que vejo!
Como tem tal peso o nada adiante!

Este desacato segue triunfante.
É indesejado este cruel desejo.
Como seca os lábios ao querer um beijo!
Como molha os olhos ao te ver distante!

E já não entendo quanto ao meu instante
Sou ou não culpado por este semblante
Qual tristeza feita à falta de ensejo.

Tu deixaste em mim este vazio cortante
Ou eu que deixei este querer frustrante
Fazer em meu peito vão que já não preencho?

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

SONETO DO PERDÃO

Tanta espera assim desfaleceu meus versos,
Pobres desarmados, quietos, reprimidos.
Será que calaram, foram tais vencidos
Por tamanha angústia que me fez disperso?

Ou, fiéis a mim, meus versos se calaram
Como amigo cala ao ver a dor de outro?
Ou me abandonaram, deixando-me solto?
Ou soltei-me eu dos versos que me amaram?

Nesse transcorrer do tempo impiedoso
Como esqueci – oh céus! – do maior gozo
Que a poesia tanto oferecera?

Curvo-me ao papel em ato de clemência,
Imploro perdão por minha tola ausência,
Entrego ao poema minha alma inteira.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

VERSOS LITORÂNEOS

Poema na areia
A maré sobe
O verso mareia

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

QUANDO DESÁGUO

Mundo bobo, risonho, à toa.
Olha lá fora a garoa!
Daqui a pouco é tempestade
E nem dá conta de metade
Da água que te cai do céu.
Eu, aqui no meu papel,
Confesso não ver graça
Dessa chuva que não passa.
Fico assim, na espreita,
Esperando o dia da colheita,
Vendo tudo ir por água abaixo!
Não tão abaixo de onde me acho.
Se é que me acho. O que digo?!
Sou homem tão perdido
Que nem correnteza me encontra
Para me levar à outra ponta
Desse oceano de amarguras
Que não sei onde se situa!
E que quando deságua, me molho...
Sinto a água sair de meus olhos.

sábado, 14 de janeiro de 2012

A CULPA POR MEU ESTADO, CAMILA...

Já não ando pleno e temo e desconfio
Que terço da culpa é de teus olhos sérios,
Estes que carregam tantos mil mistérios,
Tanto encanto que os meus não resistiram.

Outro terço sei que se fez culpa minha
Por me aventurar em teu olhar inteiro.
Hoje encontro em mim este insistente anseio
Que até em sonho, céus, ele me vinha!

O terço restante é igualmente nosso.
Oh! Tamanha culpa já não sei se posso!
Este terço tal me enche de desejo!

Já não ando pleno e temo e desconfio
Que todo este aperto é quase um desvario
Por querer, de novo, o toque de teu beijo.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

TROVA TRISTE

Como estou? Pergunta ingrata!
Bem feliz, eu lhe diria.
Seria a resposta exata
Se não fosse tal mentira...

domingo, 8 de janeiro de 2012

DESPEDIDA ESTRANHA

Despedida estranha.
Ausento-me
e o peito não me acompanha...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

HORA DO SONO

Dores dormiram
Em sono tranquilo
No leito do beijo.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

SONETO QUAL DESABAFO SOBRE ISABELLY

Esta ausência sofrida, ingrata,
Este aperto, este quê reprimido,
A paixão que eu trago comigo,
Esta sorte que me desacata.

Artificio tal qual me destrata,
Ilusão de estar protegido.
E enquanto estou recolhido
O que sinto sufoca e me mata.

Se a vejo todo meu sentido
Me excede, já não tem abrigo,
O meu peito não suporta a carga.

Eu me afogo em meus próprios suspiros,
Já não sei se eu morro ou se vivo
Do desejo que nunca se apaga.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

JANELAS URBANAS

Janelas urbanas, paisagens de nada,
A desfalecer os olhares cativos.
No mais, uma dor e um cinza nativo
Do resto, do lixo, da turva estrada.

São mares profundos nos olhos de cada,
São luzes, fumaças, temor sem abrigo,
São mentes cerradas, janelas abrindo,
Perdidos poemas, vida inacabada.

Tão logo amanhece há tom agressivo,
Não faz germinar tanto pranto escorrido,
Não brota emoção de visões limitadas.

Janelas abertas! Quem vê teus sentidos
Avista na cena o voo incontido
Que vem das abelhas, das aves, das fadas!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

É JANEIRO, CAROLINA!

Passam anos, vê, são outras cores,
Outras tantas dores já vividas!
Tantas outras poesias lidas,
Tantos fins doutros tantos amores.

Passam anos, vê, meses inteiros,
Estações passaram, não retornam.
Emoções de dias que se foram
E em mim um eterno janeiro!

E ao passar, assim, a vida breve,
Meu desejo é que o tempo leve
Tudo aquilo que puder levar.

Mas há algo que não passa, segue,
E findar o tempo não consegue.
Nossos lábios voltam a se tocar.

domingo, 25 de dezembro de 2011

VERSOS SIMPLES PARA CRIMES COMETIDOS

Teus olhos culpados
Atentaram
Contra os meus.

Meus lábios,
Larápios,
Roubaram os teus.

Assim,
Criminosos,
Aconselharei:

Matemos desejos
Em beijos
Sem lei.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

VERSOS PARA DESPEDIDA

Preciso de um soneto que me surja vivo,
Um riso, um qualquer quê a me beijar o rosto,
Um doce, um acre, um misto que me seja gosto
De algo que me falta e que se faz esquivo.

Preciso que o poema aqui se manifeste
E grite! E silencie o vão que deixa mudo
E vista de mil cores o que está desnudo
E possa me despir da angústia que me veste.

Preciso que a espontânea vida em que me vejo
Conceda em cada tempo o tanto de ensejo
Que se faz necessário para a alegria.

Preciso respirar os versos que escrevo
E quando acabar meu ar, eis meu desejo:
Poder partir em paz, morrer de poesia.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

DO VERSO

Queria escrever um verso,
Como se o verso
Fosse assim criado.

No entanto sabe o bom poeta
Que quem faz o verso
Nem mesmo é letrado.

O verso que a gente conhece,
Quando aparece,
Não vem do poeta,

Mas sim da vida arteira
Escrevendo torto
Sobre linha reta.

sábado, 17 de dezembro de 2011

SONETO EXAGERADO

Todo este azul que vem do firmamento
Acinzentou? E o Sol? Nem mesmo a Lua
Que quando nova mostra-se obscura
Faz breu maior que o Sol que agora enfrento. 

E sobre as cores? Foram-se com o vento? 
As flores deste agora estão impuras 
A carregar um tanto de tortura! 
Ou meu olhar que anda em desalento?

Então me afogo em tanto contratempo
Sem suportar o vão deste lamento,
Sem entender razão que me amargura.

É quando noto que meu pensamento
De te perder de vista um só momento
Me faz entregue a esta desventura.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

POEMA DE DOIS SEGUNDOS

Logo passa,
Como tudo passa.
E passou
Por dois segundos...

U...
Carros fecham o trânsito, dezenas de nuvens passeiam imperceptíveis,
O Sol se destaca, alguém está satisfeito por qualquer bobagem,
Não havia reparado como um segundo dura tanto!
O sorvete derrete na mão da criança. “Mãe! Pai! Outro!”, pensa (asas)...

     ...M,
Crianças trabalham na China, morrem cem pessoas em um desastre,
A cada fração de segundo algo surpreendente acontece no mundo,
Algumas dezenas de árvores – ainda que em pouca quantidade –
Germinam, florescem! Há mil litros de pranto e mil quilos de risos (asas)...

               D...
Uma pessoa dorme em uma cama macia e forrada,
O viaduto de lá parece um hotel, há quem dormiu para sempre,
De um lado da Terra, no alto, há constelações,
Em algum canto chove no final da tarde. Alguém dança (asas)...

                         ...O...
Pessoas desistem da vida, outras pensam em desistir,
Muitas desistem da ideia, poucos sabem realmente viver.
Talvez porque se desaprenda quando se completa doze anos.
Mas agora é novo ano! Novos aprendizes nascem (asas)...

                                             ...I...
Milhões de corações pulsam em fúria, insaciáveis,
Nada pode os pa...ram corações. Silêncio...
... Folia em uma rua interditada, folia em um motel,
Acalanto em um recanto distante de lá e daqui (asas)...

                                                              ...S!

Logo passa,
Como tudo passa.
E passou.
Um pardal me fez sorrir.

T...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Olá,leitorxs! Mais uma vez quero compartilhar um novo sorriso com vocês!

Há tempos atrás participei do concurso de poesias para o Prêmio FEUC de Literatura 2011, organizado pela Fundação Educacional Unificada Campograndense.

Para minha surpresa fiquei em 3º lugar na categoria Âmbito Nacional!

A poesia contemplada foi a seguinte:

MEU SONETO AGRADECIDO

Mais uma vez, agradeço a quem ajuda minha expressão se expandir através dos olhos!

Beijos para tod@s!

domingo, 4 de dezembro de 2011

INTENÇÃO

Não sei bem o que intento,
Mas tentar
É meu sustento.

sábado, 19 de novembro de 2011

PRAZER

De tempo em tempo
Necessito
Verso.
De verso em verso,
Nisso excito
A tempo.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

SONETO MESQUINHO

Vejo que este meu anseio é pouco ou muito
Quando muito me toca este pouco anseio,
Feito pouco caso que se faz em meio
De quem muito busca inspiração no mundo.

Quanto mais teus olhos, pouco a pouco, miram
Muito mais meus olhos buscam o teu brilho.
Mais teu brilho atrai, pouco renuncio
De entregar-me mais aos olhos que fascinam.

Mas é muito pouco o que de ti preciso.
Pouco ou quase nada do que necessito
Poderá em ti achar algum amparo.

Pois se minha boca encontrar a tua
Perco este mistério que se perpetua
Neste teu distante olhar de afago raro.

domingo, 6 de novembro de 2011

LUTO RABISCADO

Não há para o poeta algo mais denso
Que suportar o peso do vazio.
Cem ferros houvesse - mais cem, mais mil - !
Seriam plumas entre o vão intenso

A agraciar este meu espaço vago,
A dar qualquer resquício de poesia.
Mas não há ferro algum que poderia
Pesar tão mais que este vazio que trago.

Pois perco tudo, o tempo, até a vida,
A lamentar o vão que me castiga,
A arriscar versar. Aqui confesso

Que aos poucos, dia a dia, inevitável,
Encontro-me em estado lastimável,
Enterro a poesia com meus versos.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

DANÇA MUNDANA

Por sermos mundanos
Nos damos em danos.
Andamos...
Em enganos nos damos
                                       as mãos.
                        Dançamos!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O TANTO

Qualquer métrica que se aplica,
Toda rima que se desenvolva,
Cada verso que por fim resolva
Adornar a arte, seja dita

A verdade que não cabe em verso:
Tudo isso vem a ser pretexto
Para ocultar o meu tamanho apreço,
Para proteger o que não lhe confesso.

Esta poesia tão incompreendida,
Minha expressão ainda escondida,
Faz doer o peito, faz rolar o pranto.

Nenhum verso é palavra dita.
A expressão, que triste, se limita
A dizer "te adoro tanto!". Tanto...

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O PÃO MOFADO, A LONA VELHA, O GRITO E O DEPOIS

O gosto acre não é de hoje,
Este azedume servil, tristemente, vergonhosamente servil,
Não se fez do último sapo engolido.
Este azedo na boca não é dos beijos vencidos de outrora.
Não só! É algo do gosto daquela velha refeição
Naquela mesma sala de jantar antiga.
Talvez o acúmulo do sabor imposto de pimenta,
Talvez um pigarro, um soluço, um grito.
Toda sorte de nossa democracia que acidifica o paladar.
Este sabor, este quê indigesto, é hereditário.
Mas dizem – assim ouvi dizer – que com o tempo
A herança é deixada aos filhos sociais,
Melhor diria aos órfãos sociais,
E o gosto intragável some dos pais,
Some das mães, dos tios, dos solteiros...
A vida começa depois dos quarenta.
Seria por isso? Não é vida.
É a aceitação da morte, morte acre,
Morte azeda, morte servil, vergonhosamente servil.
Aos filhos e filhas, morte!
À doce saliva, morte!
À mesa o mesmo jantar, na mesma sala antiga.
Já não tem gosto para muitos.
O gosto que sinto é azedo,
Para além de quarenta mil anos.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

SONETO PARA UM SENTIMENTO NÃO DECLARADO

Este sentimento, tu que o carregas
Qual mistério eterno, como me traz vida!
Pois se não o sinto, como me castiga;
Quando o sinto em algo, como me completa!

Este teu segredo quanto mais trancado
Mais em teu cuidado enfim se denuncia,
Pois quem guarda o ouro não conseguiria
Esconder no rosto o riso contentado

De quem tem consigo a fonte da riqueza.
Quem oculta o ouro nutre a avareza,
Torna-se tristonha esta condição.

Assume teu ouro, por contentamento!
Traze-me o conforto de teu sentimento
Ou deixa-me torpe desta ilusão.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

SONETO ILUSÓRIO

Máculas são estes versos batidos!
Chora o poema tão logo se o faz,
Derrama a rima um pranto sem paz,
Reclama a estrofe um novo sentido.

Se, bem atento, visar o que digo,
Nota-se em tempo que há pranto a mais:
Em desventura que não se desfaz
Ouve-se um peito a chorar recolhido.

Oh! Como fere este caso perdido!
São poesias sem mundo ou abrigo
E um sentimento que soa incapaz

Quando ele intenta fazer redivivo
Dia após dia, nos dias que sigo,
Qualquer conforto deixado p'ra trás.

SONETO DE FRUSTRAÇÃO

Quisera eu, este poeta errante,
Os versos adornar com maestria
Quais tais dezenas lidas poesias
De dores ou prazeres triunfantes.

Triunfam, pois se avistam o semblante
De quem os lê qual prêmio ou regalia
Não se há de vir senão tal alegria,
Vazio preencher-se-á neste instante.

Mas eu, dos versos servo e aspirante,
Não sei senão amar d'outros amantes
As memoráveis belas poesias.

Intento a obra assim gratificante,
Mas ao me arriscar sou figurante.
Finjo um poeta qual jamais seria.

domingo, 11 de setembro de 2011

NO SAMBA

Charme dançando,
Meu pensamento samba.

Devoro o sorriso
Com os olhos de bamba

E morro nos olhos
Da moça que manda

Naquele momento.
Meu peito desanda!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

SONETO DE CEGA CONDIÇÃO

Escrever se faz com certo sacrifício.
Dividir em versos os meus sentimentos,
Decidir o rumo de meus pensamentos,
Torna-se injustiça, morte ou suplício.

Ora encontro em mente o beijo realizado,
Sinto uma saudade a me tocar a boca.
Ora o pensamento, em vontade louca,
Torna a desejar os lábios não tocados.

Dentro do dilema com o qual convivo
Não encontro paz, caminho ou lenitivo,
Não vejo esperança para as emoções.

Para suportar o fado que carrego
Somente arrancando este meu peito cego
Ou me agraciando com dois corações!

domingo, 4 de setembro de 2011

DESUMANO

No alto, lá no céu,
O helicóptero voava.
Todos podiam ver seu voo
Com ruído inconveniente
E estética morto-metálica.
Enquanto isso, quase em mergulho,
Na praça - havia verde -
Voavam baixo os passarinhos.
Ninguém mais os viu.
Somente eu, com estes olhos.
Somente meus ouvidos escutaram
Os cantos multissinfônicos.
Na cidade os homens rastejam,
As latas levitam, o pulmão sofre,
Os pássaros - belos pássaros -
Quebram fronteiras!
Na cidade os olhos fogem,
Minha alma imita o voo (ou seria mergulho?)
Dos pássaros desumanos.
Ah, pássaros desumanos!
Essas almas leves é o que permite voo.
E quando, fugindo da cidade,
Encontro estes seus dotes
É que me desumanizo
E alcanço a última estrela do céu.