Eis que a ironia, rude, inquietante,
Dá sua cara à mostra, cheia de gracejo:
Como me fiz cego por tanto que vejo!
Como tem tal peso o nada adiante!
Este desacato segue triunfante.
É indesejado este cruel desejo.
Como seca os lábios ao querer um beijo!
Como molha os olhos ao te ver distante!
E já não entendo quanto ao meu instante
Sou ou não culpado por este semblante
Qual tristeza feita à falta de ensejo.
Tu deixaste em mim este vazio cortante
Ou eu que deixei este querer frustrante
Fazer em meu peito vão que já não preencho?
Por Mao Punk: Decidi divulgar poesias minhas por email para alguns amigos. Uma amiga, LOah, criou esse blog com tais poesias e me permitiu editá-lo. VALEU,LOAH! Você me ajudou a expandir a expressão! Eis poesias que escrevi entre 2006 aos dias de hoje. Estão fora de cronologia,mas a expressão é livre para isso! Mais uma vez, valeu, LOah! E obrigado a todxs que leem o blog! Sem vocês a expressão ficaria limitada! PAZ E ANARQUIA!
Respeite a arte! Ao reproduzir em outros lugares a obra de algum artista, cite o autor. Todas as poesias aqui presentes foram escritas por Mao Punk.
Visite também meu blog de textos: RESQUÍCIOS DEPRESSIVOS, SUJOS E NOJENTOS .
Textos que expõem a fragilidade e indecência humanas de forma irônica, metafórica e sem embelezamentos.
quarta-feira, 7 de março de 2012
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
SONETO DO PERDÃO
Tanta espera assim desfaleceu meus versos,
Pobres desarmados, quietos, reprimidos.
Será que calaram, foram tais vencidos
Por tamanha angústia que me fez disperso?
Ou, fiéis a mim, meus versos se calaram
Como amigo cala ao ver a dor de outro?
Ou me abandonaram, deixando-me solto?
Ou soltei-me eu dos versos que me amaram?
Nesse transcorrer do tempo impiedoso
Como esqueci – oh céus! – do maior gozo
Que a poesia tanto oferecera?
Curvo-me ao papel em ato de clemência,
Imploro perdão por minha tola ausência,
Entrego ao poema minha alma inteira.
Pobres desarmados, quietos, reprimidos.
Será que calaram, foram tais vencidos
Por tamanha angústia que me fez disperso?
Ou, fiéis a mim, meus versos se calaram
Como amigo cala ao ver a dor de outro?
Ou me abandonaram, deixando-me solto?
Ou soltei-me eu dos versos que me amaram?
Nesse transcorrer do tempo impiedoso
Como esqueci – oh céus! – do maior gozo
Que a poesia tanto oferecera?
Curvo-me ao papel em ato de clemência,
Imploro perdão por minha tola ausência,
Entrego ao poema minha alma inteira.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
QUANDO DESÁGUO
Mundo bobo, risonho, à toa.
Olha lá fora a garoa!
Daqui a pouco é tempestade
E nem dá conta de metade
Da água que te cai do céu.
Eu, aqui no meu papel,
Confesso não ver graça
Dessa chuva que não passa.
Fico assim, na espreita,
Esperando o dia da colheita,
Vendo tudo ir por água abaixo!
Não tão abaixo de onde me acho.
Se é que me acho. O que digo?!
Sou homem tão perdido
Que nem correnteza me encontra
Para me levar à outra ponta
Desse oceano de amarguras
Que não sei onde se situa!
E que quando deságua, me molho...
Sinto a água sair de meus olhos.
Olha lá fora a garoa!
Daqui a pouco é tempestade
E nem dá conta de metade
Da água que te cai do céu.
Eu, aqui no meu papel,
Confesso não ver graça
Dessa chuva que não passa.
Fico assim, na espreita,
Esperando o dia da colheita,
Vendo tudo ir por água abaixo!
Não tão abaixo de onde me acho.
Se é que me acho. O que digo?!
Sou homem tão perdido
Que nem correnteza me encontra
Para me levar à outra ponta
Desse oceano de amarguras
Que não sei onde se situa!
E que quando deságua, me molho...
Sinto a água sair de meus olhos.
sábado, 14 de janeiro de 2012
A CULPA POR MEU ESTADO, CAMILA...
Já não ando pleno e temo e desconfio
Que terço da culpa é de teus olhos sérios,
Estes que carregam tantos mil mistérios,
Tanto encanto que os meus não resistiram.
Outro terço sei que se fez culpa minha
Por me aventurar em teu olhar inteiro.
Hoje encontro em mim este insistente anseio
Que até em sonho, céus, ele me vinha!
O terço restante é igualmente nosso.
Oh! Tamanha culpa já não sei se posso!
Este terço tal me enche de desejo!
Já não ando pleno e temo e desconfio
Que todo este aperto é quase um desvario
Por querer, de novo, o toque de teu beijo.
Que terço da culpa é de teus olhos sérios,
Estes que carregam tantos mil mistérios,
Tanto encanto que os meus não resistiram.
Outro terço sei que se fez culpa minha
Por me aventurar em teu olhar inteiro.
Hoje encontro em mim este insistente anseio
Que até em sonho, céus, ele me vinha!
O terço restante é igualmente nosso.
Oh! Tamanha culpa já não sei se posso!
Este terço tal me enche de desejo!
Já não ando pleno e temo e desconfio
Que todo este aperto é quase um desvario
Por querer, de novo, o toque de teu beijo.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
TROVA TRISTE
Como estou? Pergunta ingrata!
Bem feliz, eu lhe diria.
Seria a resposta exata
Se não fosse tal mentira...
Bem feliz, eu lhe diria.
Seria a resposta exata
Se não fosse tal mentira...
domingo, 8 de janeiro de 2012
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
SONETO QUAL DESABAFO SOBRE ISABELLY
Esta ausência sofrida, ingrata,
Este aperto, este quê reprimido,
A paixão que eu trago comigo,
Esta sorte que me desacata.
Artificio tal qual me destrata,
Ilusão de estar protegido.
E enquanto estou recolhido
O que sinto sufoca e me mata.
Se a vejo todo meu sentido
Me excede, já não tem abrigo,
O meu peito não suporta a carga.
Eu me afogo em meus próprios suspiros,
Já não sei se eu morro ou se vivo
Do desejo que nunca se apaga.
Este aperto, este quê reprimido,
A paixão que eu trago comigo,
Esta sorte que me desacata.
Artificio tal qual me destrata,
Ilusão de estar protegido.
E enquanto estou recolhido
O que sinto sufoca e me mata.
Se a vejo todo meu sentido
Me excede, já não tem abrigo,
O meu peito não suporta a carga.
Eu me afogo em meus próprios suspiros,
Já não sei se eu morro ou se vivo
Do desejo que nunca se apaga.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
JANELAS URBANAS
Janelas urbanas, paisagens de nada,
A desfalecer os olhares cativos.
No mais, uma dor e um cinza nativo
Do resto, do lixo, da turva estrada.
São mares profundos nos olhos de cada,
São luzes, fumaças, temor sem abrigo,
São mentes cerradas, janelas abrindo,
Perdidos poemas, vida inacabada.
Tão logo amanhece há tom agressivo,
Não faz germinar tanto pranto escorrido,
Não brota emoção de visões limitadas.
Janelas abertas! Quem vê teus sentidos
Avista na cena o voo incontido
Que vem das abelhas, das aves, das fadas!
A desfalecer os olhares cativos.
No mais, uma dor e um cinza nativo
Do resto, do lixo, da turva estrada.
São mares profundos nos olhos de cada,
São luzes, fumaças, temor sem abrigo,
São mentes cerradas, janelas abrindo,
Perdidos poemas, vida inacabada.
Tão logo amanhece há tom agressivo,
Não faz germinar tanto pranto escorrido,
Não brota emoção de visões limitadas.
Janelas abertas! Quem vê teus sentidos
Avista na cena o voo incontido
Que vem das abelhas, das aves, das fadas!
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
É JANEIRO, CAROLINA!
Passam anos, vê, são outras cores,
Outras tantas dores já vividas!
Tantas outras poesias lidas,
Tantos fins doutros tantos amores.
Passam anos, vê, meses inteiros,
Estações passaram, não retornam.
Emoções de dias que se foram
E em mim um eterno janeiro!
E ao passar, assim, a vida breve,
Meu desejo é que o tempo leve
Tudo aquilo que puder levar.
Mas há algo que não passa, segue,
E findar o tempo não consegue.
Nossos lábios voltam a se tocar.
Outras tantas dores já vividas!
Tantas outras poesias lidas,
Tantos fins doutros tantos amores.
Passam anos, vê, meses inteiros,
Estações passaram, não retornam.
Emoções de dias que se foram
E em mim um eterno janeiro!
E ao passar, assim, a vida breve,
Meu desejo é que o tempo leve
Tudo aquilo que puder levar.
Mas há algo que não passa, segue,
E findar o tempo não consegue.
Nossos lábios voltam a se tocar.
domingo, 25 de dezembro de 2011
VERSOS SIMPLES PARA CRIMES COMETIDOS
Teus olhos culpados
Atentaram
Contra os meus.
Meus lábios,
Larápios,
Roubaram os teus.
Assim,
Criminosos,
Aconselharei:
Matemos desejos
Em beijos
Sem lei.
Atentaram
Contra os meus.
Meus lábios,
Larápios,
Roubaram os teus.
Assim,
Criminosos,
Aconselharei:
Matemos desejos
Em beijos
Sem lei.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
VERSOS PARA DESPEDIDA
Preciso de um soneto que me surja vivo,
Um riso, um qualquer quê a me beijar o rosto,
Um doce, um acre, um misto que me seja gosto
De algo que me falta e que se faz esquivo.
Preciso que o poema aqui se manifeste
E grite! E silencie o vão que deixa mudo
E vista de mil cores o que está desnudo
E possa me despir da angústia que me veste.
Preciso que a espontânea vida em que me vejo
Conceda em cada tempo o tanto de ensejo
Que se faz necessário para a alegria.
Preciso respirar os versos que escrevo
E quando acabar meu ar, eis meu desejo:
Poder partir em paz, morrer de poesia.
Um riso, um qualquer quê a me beijar o rosto,
Um doce, um acre, um misto que me seja gosto
De algo que me falta e que se faz esquivo.
Preciso que o poema aqui se manifeste
E grite! E silencie o vão que deixa mudo
E vista de mil cores o que está desnudo
E possa me despir da angústia que me veste.
Preciso que a espontânea vida em que me vejo
Conceda em cada tempo o tanto de ensejo
Que se faz necessário para a alegria.
Preciso respirar os versos que escrevo
E quando acabar meu ar, eis meu desejo:
Poder partir em paz, morrer de poesia.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
DO VERSO
Queria escrever um verso,
Como se o verso
Fosse assim criado.
No entanto sabe o bom poeta
Que quem faz o verso
Nem mesmo é letrado.
O verso que a gente conhece,
Quando aparece,
Não vem do poeta,
Mas sim da vida arteira
Escrevendo torto
Sobre linha reta.
Como se o verso
Fosse assim criado.
No entanto sabe o bom poeta
Que quem faz o verso
Nem mesmo é letrado.
O verso que a gente conhece,
Quando aparece,
Não vem do poeta,
Mas sim da vida arteira
Escrevendo torto
Sobre linha reta.
sábado, 17 de dezembro de 2011
SONETO EXAGERADO
Todo este azul que vem do firmamento
Acinzentou? E o Sol? Nem mesmo a Lua
Que quando nova mostra-se obscura
Faz breu maior que o Sol que agora enfrento.
E sobre as cores? Foram-se com o vento?
As flores deste agora estão impuras
A carregar um tanto de tortura!
Ou meu olhar que anda em desalento?
Então me afogo em tanto contratempo
Sem suportar o vão deste lamento,
Sem entender razão que me amargura.
É quando noto que meu pensamento
De te perder de vista um só momento
Me faz entregue a esta desventura.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
POEMA DE DOIS SEGUNDOS
Logo passa,
Como tudo passa.
E passou
Por dois segundos...
U...
Carros fecham o trânsito, dezenas de nuvens passeiam imperceptíveis,
O Sol se destaca, alguém está satisfeito por qualquer bobagem,
Não havia reparado como um segundo dura tanto!
O sorvete derrete na mão da criança. “Mãe! Pai! Outro!”, pensa (asas)...
...M,
Crianças trabalham na China, morrem cem pessoas em um desastre,
A cada fração de segundo algo surpreendente acontece no mundo,
Algumas dezenas de árvores – ainda que em pouca quantidade –
Germinam, florescem! Há mil litros de pranto e mil quilos de risos (asas)...
D...
Uma pessoa dorme em uma cama macia e forrada,
O viaduto de lá parece um hotel, há quem dormiu para sempre,
De um lado da Terra, no alto, há constelações,
Em algum canto chove no final da tarde. Alguém dança (asas)...
...O...
Pessoas desistem da vida, outras pensam em desistir,
Muitas desistem da ideia, poucos sabem realmente viver.
Talvez porque se desaprenda quando se completa doze anos.
Mas agora é novo ano! Novos aprendizes nascem (asas)...
...I...
Milhões de corações pulsam em fúria, insaciáveis,
Nada pode os pa...ram corações. Silêncio...
... Folia em uma rua interditada, folia em um motel,
Acalanto em um recanto distante de lá e daqui (asas)...
...S!
Logo passa,
Como tudo passa.
E passou.
Um pardal me fez sorrir.
T...
Como tudo passa.
E passou
Por dois segundos...
U...
Carros fecham o trânsito, dezenas de nuvens passeiam imperceptíveis,
O Sol se destaca, alguém está satisfeito por qualquer bobagem,
Não havia reparado como um segundo dura tanto!
O sorvete derrete na mão da criança. “Mãe! Pai! Outro!”, pensa (asas)...
...M,
Crianças trabalham na China, morrem cem pessoas em um desastre,
A cada fração de segundo algo surpreendente acontece no mundo,
Algumas dezenas de árvores – ainda que em pouca quantidade –
Germinam, florescem! Há mil litros de pranto e mil quilos de risos (asas)...
D...
Uma pessoa dorme em uma cama macia e forrada,
O viaduto de lá parece um hotel, há quem dormiu para sempre,
De um lado da Terra, no alto, há constelações,
Em algum canto chove no final da tarde. Alguém dança (asas)...
...O...
Pessoas desistem da vida, outras pensam em desistir,
Muitas desistem da ideia, poucos sabem realmente viver.
Talvez porque se desaprenda quando se completa doze anos.
Mas agora é novo ano! Novos aprendizes nascem (asas)...
...I...
Milhões de corações pulsam em fúria, insaciáveis,
Nada pode os pa...ram corações. Silêncio...
... Folia em uma rua interditada, folia em um motel,
Acalanto em um recanto distante de lá e daqui (asas)...
...S!
Logo passa,
Como tudo passa.
E passou.
Um pardal me fez sorrir.
T...
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Olá,leitorxs! Mais uma vez quero compartilhar um novo sorriso com vocês!
Há tempos atrás participei do concurso de poesias para o Prêmio FEUC de Literatura 2011, organizado pela Fundação Educacional Unificada Campograndense.
Para minha surpresa fiquei em 3º lugar na categoria Âmbito Nacional!
A poesia contemplada foi a seguinte:
MEU SONETO AGRADECIDO
Mais uma vez, agradeço a quem ajuda minha expressão se expandir através dos olhos!
Beijos para tod@s!
Há tempos atrás participei do concurso de poesias para o Prêmio FEUC de Literatura 2011, organizado pela Fundação Educacional Unificada Campograndense.
Para minha surpresa fiquei em 3º lugar na categoria Âmbito Nacional!
A poesia contemplada foi a seguinte:
MEU SONETO AGRADECIDO
Mais uma vez, agradeço a quem ajuda minha expressão se expandir através dos olhos!
Beijos para tod@s!
domingo, 4 de dezembro de 2011
sábado, 19 de novembro de 2011
terça-feira, 8 de novembro de 2011
SONETO MESQUINHO
Vejo que este meu anseio é pouco ou muito
Quando muito me toca este pouco anseio,
Feito pouco caso que se faz em meio
De quem muito busca inspiração no mundo.
Quanto mais teus olhos, pouco a pouco, miram
Muito mais meus olhos buscam o teu brilho.
Mais teu brilho atrai, pouco renuncio
De entregar-me mais aos olhos que fascinam.
Mas é muito pouco o que de ti preciso.
Pouco ou quase nada do que necessito
Poderá em ti achar algum amparo.
Pois se minha boca encontrar a tua
Perco este mistério que se perpetua
Neste teu distante olhar de afago raro.
Quando muito me toca este pouco anseio,
Feito pouco caso que se faz em meio
De quem muito busca inspiração no mundo.
Quanto mais teus olhos, pouco a pouco, miram
Muito mais meus olhos buscam o teu brilho.
Mais teu brilho atrai, pouco renuncio
De entregar-me mais aos olhos que fascinam.
Mas é muito pouco o que de ti preciso.
Pouco ou quase nada do que necessito
Poderá em ti achar algum amparo.
Pois se minha boca encontrar a tua
Perco este mistério que se perpetua
Neste teu distante olhar de afago raro.
domingo, 6 de novembro de 2011
LUTO RABISCADO
Não há para o poeta algo mais denso
Que suportar o peso do vazio.
Cem ferros houvesse - mais cem, mais mil - !
Seriam plumas entre o vão intenso
A agraciar este meu espaço vago,
A dar qualquer resquício de poesia.
Mas não há ferro algum que poderia
Pesar tão mais que este vazio que trago.
Pois perco tudo, o tempo, até a vida,
A lamentar o vão que me castiga,
A arriscar versar. Aqui confesso
Que aos poucos, dia a dia, inevitável,
Encontro-me em estado lastimável,
Enterro a poesia com meus versos.
Que suportar o peso do vazio.
Cem ferros houvesse - mais cem, mais mil - !
Seriam plumas entre o vão intenso
A agraciar este meu espaço vago,
A dar qualquer resquício de poesia.
Mas não há ferro algum que poderia
Pesar tão mais que este vazio que trago.
Pois perco tudo, o tempo, até a vida,
A lamentar o vão que me castiga,
A arriscar versar. Aqui confesso
Que aos poucos, dia a dia, inevitável,
Encontro-me em estado lastimável,
Enterro a poesia com meus versos.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
DANÇA MUNDANA
Por sermos mundanos
Nos damos em danos.
Andamos...
Em enganos nos damos
as mãos.
Dançamos!
Nos damos em danos.
Andamos...
Em enganos nos damos
as mãos.
Dançamos!
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
O TANTO
Qualquer métrica que se aplica,
Toda rima que se desenvolva,
Cada verso que por fim resolva
Adornar a arte, seja dita
A verdade que não cabe em verso:
Tudo isso vem a ser pretexto
Para ocultar o meu tamanho apreço,
Para proteger o que não lhe confesso.
Esta poesia tão incompreendida,
Minha expressão ainda escondida,
Faz doer o peito, faz rolar o pranto.
Nenhum verso é palavra dita.
A expressão, que triste, se limita
A dizer "te adoro tanto!". Tanto...
Toda rima que se desenvolva,
Cada verso que por fim resolva
Adornar a arte, seja dita
A verdade que não cabe em verso:
Tudo isso vem a ser pretexto
Para ocultar o meu tamanho apreço,
Para proteger o que não lhe confesso.
Esta poesia tão incompreendida,
Minha expressão ainda escondida,
Faz doer o peito, faz rolar o pranto.
Nenhum verso é palavra dita.
A expressão, que triste, se limita
A dizer "te adoro tanto!". Tanto...
terça-feira, 4 de outubro de 2011
O PÃO MOFADO, A LONA VELHA, O GRITO E O DEPOIS
O gosto acre não é de hoje,
Este azedume servil, tristemente, vergonhosamente servil,
Não se fez do último sapo engolido.
Este azedo na boca não é dos beijos vencidos de outrora.
Não só! É algo do gosto daquela velha refeição
Naquela mesma sala de jantar antiga.
Talvez o acúmulo do sabor imposto de pimenta,
Talvez um pigarro, um soluço, um grito.
Toda sorte de nossa democracia que acidifica o paladar.
Este sabor, este quê indigesto, é hereditário.
Mas dizem – assim ouvi dizer – que com o tempo
A herança é deixada aos filhos sociais,
Melhor diria aos órfãos sociais,
E o gosto intragável some dos pais,
Some das mães, dos tios, dos solteiros...
A vida começa depois dos quarenta.
Seria por isso? Não é vida.
É a aceitação da morte, morte acre,
Morte azeda, morte servil, vergonhosamente servil.
Aos filhos e filhas, morte!
À doce saliva, morte!
À mesa o mesmo jantar, na mesma sala antiga.
Já não tem gosto para muitos.
O gosto que sinto é azedo,
Para além de quarenta mil anos.
Este azedume servil, tristemente, vergonhosamente servil,
Não se fez do último sapo engolido.
Este azedo na boca não é dos beijos vencidos de outrora.
Não só! É algo do gosto daquela velha refeição
Naquela mesma sala de jantar antiga.
Talvez o acúmulo do sabor imposto de pimenta,
Talvez um pigarro, um soluço, um grito.
Toda sorte de nossa democracia que acidifica o paladar.
Este sabor, este quê indigesto, é hereditário.
Mas dizem – assim ouvi dizer – que com o tempo
A herança é deixada aos filhos sociais,
Melhor diria aos órfãos sociais,
E o gosto intragável some dos pais,
Some das mães, dos tios, dos solteiros...
A vida começa depois dos quarenta.
Seria por isso? Não é vida.
É a aceitação da morte, morte acre,
Morte azeda, morte servil, vergonhosamente servil.
Aos filhos e filhas, morte!
À doce saliva, morte!
À mesa o mesmo jantar, na mesma sala antiga.
Já não tem gosto para muitos.
O gosto que sinto é azedo,
Para além de quarenta mil anos.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
SONETO PARA UM SENTIMENTO NÃO DECLARADO
Este sentimento, tu que o carregas
Qual mistério eterno, como me traz vida!
Pois se não o sinto, como me castiga;
Quando o sinto em algo, como me completa!
Este teu segredo quanto mais trancado
Mais em teu cuidado enfim se denuncia,
Pois quem guarda o ouro não conseguiria
Esconder no rosto o riso contentado
De quem tem consigo a fonte da riqueza.
Quem oculta o ouro nutre a avareza,
Torna-se tristonha esta condição.
Assume teu ouro, por contentamento!
Traze-me o conforto de teu sentimento
Ou deixa-me torpe desta ilusão.
Qual mistério eterno, como me traz vida!
Pois se não o sinto, como me castiga;
Quando o sinto em algo, como me completa!
Este teu segredo quanto mais trancado
Mais em teu cuidado enfim se denuncia,
Pois quem guarda o ouro não conseguiria
Esconder no rosto o riso contentado
De quem tem consigo a fonte da riqueza.
Quem oculta o ouro nutre a avareza,
Torna-se tristonha esta condição.
Assume teu ouro, por contentamento!
Traze-me o conforto de teu sentimento
Ou deixa-me torpe desta ilusão.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
SONETO ILUSÓRIO
Máculas são estes versos batidos!
Chora o poema tão logo se o faz,
Derrama a rima um pranto sem paz,
Reclama a estrofe um novo sentido.
Se, bem atento, visar o que digo,
Nota-se em tempo que há pranto a mais:
Em desventura que não se desfaz
Ouve-se um peito a chorar recolhido.
Oh! Como fere este caso perdido!
São poesias sem mundo ou abrigo
E um sentimento que soa incapaz
Quando ele intenta fazer redivivo
Dia após dia, nos dias que sigo,
Qualquer conforto deixado p'ra trás.
Chora o poema tão logo se o faz,
Derrama a rima um pranto sem paz,
Reclama a estrofe um novo sentido.
Se, bem atento, visar o que digo,
Nota-se em tempo que há pranto a mais:
Em desventura que não se desfaz
Ouve-se um peito a chorar recolhido.
Oh! Como fere este caso perdido!
São poesias sem mundo ou abrigo
E um sentimento que soa incapaz
Quando ele intenta fazer redivivo
Dia após dia, nos dias que sigo,
Qualquer conforto deixado p'ra trás.
SONETO DE FRUSTRAÇÃO
Quisera eu, este poeta errante,
Os versos adornar com maestria
Quais tais dezenas lidas poesias
De dores ou prazeres triunfantes.
Triunfam, pois se avistam o semblante
De quem os lê qual prêmio ou regalia
Não se há de vir senão tal alegria,
Vazio preencher-se-á neste instante.
Mas eu, dos versos servo e aspirante,
Não sei senão amar d'outros amantes
As memoráveis belas poesias.
Intento a obra assim gratificante,
Mas ao me arriscar sou figurante.
Finjo um poeta qual jamais seria.
Os versos adornar com maestria
Quais tais dezenas lidas poesias
De dores ou prazeres triunfantes.
Triunfam, pois se avistam o semblante
De quem os lê qual prêmio ou regalia
Não se há de vir senão tal alegria,
Vazio preencher-se-á neste instante.
Mas eu, dos versos servo e aspirante,
Não sei senão amar d'outros amantes
As memoráveis belas poesias.
Intento a obra assim gratificante,
Mas ao me arriscar sou figurante.
Finjo um poeta qual jamais seria.
domingo, 11 de setembro de 2011
NO SAMBA
Charme dançando,
Meu pensamento samba.
Devoro o sorriso
Com os olhos de bamba
E morro nos olhos
Da moça que manda
Naquele momento.
Meu peito desanda!
Meu pensamento samba.
Devoro o sorriso
Com os olhos de bamba
E morro nos olhos
Da moça que manda
Naquele momento.
Meu peito desanda!
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
SONETO DE CEGA CONDIÇÃO
Escrever se faz com certo sacrifício.
Dividir em versos os meus sentimentos,
Decidir o rumo de meus pensamentos,
Torna-se injustiça, morte ou suplício.
Ora encontro em mente o beijo realizado,
Sinto uma saudade a me tocar a boca.
Ora o pensamento, em vontade louca,
Torna a desejar os lábios não tocados.
Dentro do dilema com o qual convivo
Não encontro paz, caminho ou lenitivo,
Não vejo esperança para as emoções.
Para suportar o fado que carrego
Somente arrancando este meu peito cego
Ou me agraciando com dois corações!
Dividir em versos os meus sentimentos,
Decidir o rumo de meus pensamentos,
Torna-se injustiça, morte ou suplício.
Ora encontro em mente o beijo realizado,
Sinto uma saudade a me tocar a boca.
Ora o pensamento, em vontade louca,
Torna a desejar os lábios não tocados.
Dentro do dilema com o qual convivo
Não encontro paz, caminho ou lenitivo,
Não vejo esperança para as emoções.
Para suportar o fado que carrego
Somente arrancando este meu peito cego
Ou me agraciando com dois corações!
domingo, 4 de setembro de 2011
DESUMANO
No alto, lá no céu,
O helicóptero voava.
Todos podiam ver seu voo
Com ruído inconveniente
E estética morto-metálica.
Enquanto isso, quase em mergulho,
Na praça - havia verde -
Voavam baixo os passarinhos.
Ninguém mais os viu.
Somente eu, com estes olhos.
Somente meus ouvidos escutaram
Os cantos multissinfônicos.
Na cidade os homens rastejam,
As latas levitam, o pulmão sofre,
Os pássaros - belos pássaros -
Quebram fronteiras!
Na cidade os olhos fogem,
Minha alma imita o voo (ou seria mergulho?)
Dos pássaros desumanos.
Ah, pássaros desumanos!
Essas almas leves é o que permite voo.
E quando, fugindo da cidade,
Encontro estes seus dotes
É que me desumanizo
E alcanço a última estrela do céu.
O helicóptero voava.
Todos podiam ver seu voo
Com ruído inconveniente
E estética morto-metálica.
Enquanto isso, quase em mergulho,
Na praça - havia verde -
Voavam baixo os passarinhos.
Ninguém mais os viu.
Somente eu, com estes olhos.
Somente meus ouvidos escutaram
Os cantos multissinfônicos.
Na cidade os homens rastejam,
As latas levitam, o pulmão sofre,
Os pássaros - belos pássaros -
Quebram fronteiras!
Na cidade os olhos fogem,
Minha alma imita o voo (ou seria mergulho?)
Dos pássaros desumanos.
Ah, pássaros desumanos!
Essas almas leves é o que permite voo.
E quando, fugindo da cidade,
Encontro estes seus dotes
É que me desumanizo
E alcanço a última estrela do céu.
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