Respeite a arte! Ao reproduzir em outros lugares a obra de algum artista, cite o autor. Todas as poesias aqui presentes foram escritas por Mao Punk.

Visite também meu blog de textos: RESQUÍCIOS DEPRESSIVOS, SUJOS E NOJENTOS .
Textos que expõem a fragilidade e indecência humanas de forma irônica, metafórica e sem embelezamentos.

quinta-feira, 25 de março de 2021

SATISFEITO

Nada espero, 
Nada quero,
Nada planejo.
Basta a sensação
De satisfação
Quando eu te vejo.

terça-feira, 23 de março de 2021

ABORRECIMENTO

A poesia óbvia 
Quase
Que me aborrece!
Prefiro o silêncio
Ao verso
Que não me merece.

domingo, 21 de março de 2021

INDIFERENÇA QUASE SÚBITA

Hoje 
Tomo tudo
Como um grande vazio.

Até a chama
Que mais me inflama
Não faz um pio,

Como se o fogo
Que em mim houvesse
Fizesse frio.

quinta-feira, 11 de março de 2021

EU EXCEDO

Eu excedo. 
E ainda assim,
Escorrendo,
É como se algo
Contido
Quisesse perfurar
Por dentro
E fazer explodir
Infinito.
No fundo,
Eu acho que é isso
Que faz do que sinto
Bonito.

quarta-feira, 10 de março de 2021

NÃO SEI DA IMPORTÂNCIA DE UM POETA

A forma como toco quem me cerca 
A mim ainda é pouco esclarecida.
Que marcas deixarei em minha partida?
O que minha existência hoje afeta?

Não sei o que deixei ainda em vida,
Nem sei da importância de um poeta.
Que feitos meus nesta estrada incerta
Serão memórias depois de minha ida?

Serão recompensadas as feridas?
Se, enfim, nesta existência dolorida
Alguém lembrar de mim, eis uma meta:

Ser como uma alegria incontida
Em cada poesia oferecida,
Como quem mira o peito e o acerta!

sábado, 6 de março de 2021

PODER

Quando verso, algo acontece, 
Não sei bem o quê, de fato.
É que algum poder inato
Neste instante me aparece.

Como se me acontecesse
Uma mutação no ato,
Eu não sei dizer, exato,
Mas é como se eu pudesse

Ter a alma que eu quisesse
E, por fim, me oferecesse
Como em íntimo contato.

Quando verso, algo acontece:
Vou além do que parece;
Sou bem mais do que eu acato!

terça-feira, 2 de março de 2021

FREQUÊNCIA

Única maneira de reconhecer 
Boas vibrações e positividade,
Só com a energia vinda do teu ser,
Só quando puder matar essa saudade!

Não há luz nenhuma até eu encontrar
O brilho do teu abraço iluminado,
Pois se falta algum clarão no caminhar,
É porque tua ausência tem o apagado.

E quando, de fato, puder te sentir
Dentro dos abraços, só neste momento,
Minha gratidão irei admitir,
Sentindo a frequência vinda de teu peito

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

REALIZADO

Quero te amar 
Como se ama.
Do jeito que houver,
Sem drama.
Te amar
Como eu puder,
Com o amor
Que me inflama.
Quero te amar
Como hoje amo,
Com o amor infindo
Que se trama.
E quando eu partir,
O amor será
Minha eterna cama!

domingo, 21 de fevereiro de 2021

AUTOESTIMA

Minha falta de autoestima 
É um problema
Infinito.
Mas hoje,
Lendo um livro,
Eu me senti bonito.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

DA META

Construir o por enquanto. 
O eterno quase não existe.

sábado, 30 de janeiro de 2021

VERSOS CONFORMADOS

Sou tédio.
Quando muito,
Algo médio.
Amargura
Sem remédio.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

PORTA MEIO-ABERTA

A porta meio-aberta. 
Há algo que explique:
Quem quiser, que fique;
Quem se for, no pique;
Quem voltar, suplique!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

POESIA PÓSTUMA X

Outra vez a terra me consome, 
Outra vez o mundo sob o corpo.
Um funeral tranquilo,
Sem lágrimas.
Apenas um pesar que há muito já existia,
Mas que o conformismo amenizara.
Outra vez o vão da cova.
Outra vez o fim do nada,
Outra vez a antiga noção
Da insignificância do alento.
Não há mais nada sob a terra,
Nem nunca houve acima dela.
Tudo um dia ruirá, de forma ou outra.
Todos os vivos, preocupados,
Desconhecem sua ignorância:
Cada preocupação, cada angústia,
Cada afeto, cada ódio, cada coisa,
Tudo existe apenas por si mesmo,
Apenas por segundos,
Apenas por enquanto,
Nada vale tão a pena
Que mereça ser enterrado
Ao fim da vida.

LEMBRETE I

Deixe o vento mudar de rumo, 
Mesmo se virar tempestade.
Não existe lugar seguro
Que não sofra adversidade.

Mas se tudo virar ruína,
Não demore uma eternidade,
Pois nenhum coração germina
Onde não há fertilidade.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

SONETO IMUTÁVEL ou UMA DÉCADA DE INÍCIO

Já não posso mais lutar contra o destino,
Todo o esforço feito é vão e sempre falha!
Não há vencedor maior nesta batalha
Do que a própria vida feita em desatino.

Quanto mais tentei livrar-me deste fado
Mais minha derrota se pronunciava,
Como fosse a voz que logo anunciava
Este sentimento em mim determinado.

Hoje, consciente, vejo que meu erro
Foi como forjar em vida o próprio enterro
Ao tentar calar um fato consumado.

Mesmo que o destino altere seu conceito,
Nada há de mudar o rumo de meu peito
E, por todo tempo, ser apaixonado!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

QUANDO CARREGUEI AS NUVENS

Olhei as nuvens
E quis chorar.
Basta um momento
Para voar.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

POESIA BOBOCA

Tua voz me chega forte, 
Eu ouço sinos.
Eu sinto arrepios,
Vi teu rosto.
Nos belos olhos teus
Eu vi desvios
A me tirar do frio
De mil desgostos.
Senti aquilo tudo
Que está feito
E que de mim jamais
Se fez perdido:
O teu amor
A me trazer sentido;
O meu amor
A te entregar meu peito.

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

DA ETERNA CERTEZA

Do passado, 
Nenhum engano:
O tanto que te amei,
Te amo.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

FELICIDADE

Ser feliz 
É um erro
Conceitual.

Felicidade
É um respiro
Ocasional.

domingo, 13 de dezembro de 2020

SENTENCIADO

Tudo que é real 
É fato que finda;
Tudo que é ilusão
É ainda.

Tudo que fenece
Amarga a língua;
E o que permanece
Míngua.


terça-feira, 24 de novembro de 2020

DENTE A DENTE

Cansado de fugir da realidade, 
Encaro meus fracassos frente a frente,
Agora olho no olho e dente a dente,
Assumo os anos em que fui covarde.

Pois coleciono há anos, ressentido,
Derrotas de uma vida amargurada,
Tentando ignorar, na caminhada,
Resquícios que me deixam mais ferido.

Mas estou farto de ser derrotado
E ao cair no chão, desanimado,
Sequer olhar nos olhos do algoz.

Caí, perdi a luta, isto eu assumo!
Mas desta vez, ao chão, terei o prumo
De encarar a dor, carrasco atroz!

domingo, 27 de setembro de 2020

SONETO PARA ANOITECER PASSADO

Sofrer a dor como se fosse afago,
Sentir o peso qual fosse uma pluma,
Deixar que cada corte n'alma nua
Me seja qual carícia em toque raro,

Pois não se cura o peito sem verdade,
Não se supera o luto sem tristeza,
Que desça de meus olhos correnteza,
Que afogue a ilusão da ingenuidade!

Que eu sofra o que tiver que ser sofrido,
Que o peito grite a dor e seja ouvido
Por esta mente tão atormentada!

Pois sei que sem a dor que hoje afeta
Não haveria a cura que desperta
Para seguir o Sol noutra alvorada.

domingo, 20 de setembro de 2020

DEIXA-ME VIVER EM PAZ MINHA TRISTEZA

Deixa-me viver em paz minha tristeza
Que a tristeza hoje é meu maior sentido,
Pois no amornecer do que venho vivido,
Foi meu sentimento de maior grandeza.

Deixa-me sentir a estranha natureza
De experimentar meu luto desmedido
A encostar no peito onde fui ferido
E por onde há pouco havia chama acesa.

Deixa-me na paz desta imensa certeza
De que a vida exige que haja frieza.
Deixa-me esfriar do que venho sofrido.

Deixa-me viver em paz minha tristeza,
Pois prefiro a dor repleta de clareza
Do que a ilusão de um riso não sorrido.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

POESIA PÓSTUMA IX

Saíra eu da escura cova que me abriga. 
Os olhos inda cheios duma fria terra,
E a putrefação funesta que me encerra
A corroer-me o resto da matéria fria.

O passo arrastado, o corpo que concerne
Ao moribundo ritmo dos passos dados,
Que tanto esforço faz sem nada alcançado,
Confunde-se afinal c'o rastejar de vermes.

Sou eu matéria morta que por inocência
Ousou sair da tumba por inconsequência,
Deixou o seu sepulcro num descuido tolo.

Pois volte, morto, volte à cova, sua essência!
Deixe que o silêncio seja a indulgência
A confortar o escuro breu do eterno sono.

sábado, 12 de setembro de 2020

POESIA QUASE ÓBVIA

O que é que do nada
Dá um calor no peito
E vem um riso bobo
No próximo momento
E um suspiro fundo
Soando envolvimento
E tudo que nos surge
Pulsando em pensamento
É o desejo vivo
De todo sentimento?
O que é que do nada
Nos traz súbito medo
E quando afastado
Traz pranto escorrendo
E um vazio estranho
Que vai acontecendo
Como se algo grande
Fosse então se perdendo?
Qual nome arriscaria?
O que isso seria?
Quantas vezes na vida
Algo assim surgiria?
O nome pouco importa
Quando isso nos acena.
De tudo o que sentimos
O que é que vale a pena?

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

SONETO À BORBOLETA

Roubara-me a frieza que havia,
Tomou-a despretensiosamente,
Pusera em seu lugar algo crescente
Que ainda hei de saber o que seria.

Deixara-me exposto à primazia
Das primaveras antes não presentes,
Florira meus jardins então ausentes
De cores tais, de finas alegrias.

Eu temo e desconheço, todavia,
A sensação que outrora não sentia,
Porém não há temor que não se enfrente,

Tal como a borboleta que escondia
Em seu casulo o medo, mas um dia
Saíra alçando voo livremente!

domingo, 2 de agosto de 2020

SONETO ABREVIADO

Abrevio fins, não mais demoro.
Quanto mais explícito o desgaste,
Mais torna-se breve o resgate
Do respeito próprio por decoro.

Mais merecimento tenho tido
Do quanto de mim tenho doado,
Reconhecimento agora dado
Por quem mais fiel a mim tem sido:

Reconheço, eu mesmo, empenho feito!
Não mais ao desdém eu me sujeito,
Sou eu mesmo meu maior cuidado.

E tal qual conheço o que é defeito,
Posso admitir, a meu respeito,
O valor que tenho e é desprezado.

sexta-feira, 24 de julho de 2020

ALHEAMENTO

Do lado de fora
A flor ainda cresce,
Tudo que é de praxe
Ainda acontece,
Tudo que é inviável
Ainda padece,
Tudo que é efusivo
Ainda estremece,
O que é do passado
Ao tempo fenece,
O que é do presente
Ora permanece.
O que é do futuro
O tempo enrijece.
Do lado de dentro
Nada é o que parece.

domingo, 15 de março de 2020

Sem título

Pareceu que o Sol amanheceu brilhante,
Mas olhei o céu, apenas cinza havia!
Foi quando notei que o brilho radiante
Surgiu quando eu vi sua fotografia!

domingo, 23 de fevereiro de 2020

POESIA PÓSTUMA VIII

A multidão passou por mim.
Meu corpo não é o que esperam.
Minha carne é folia para vermes.
Meu espaço nunca esteve no mundo.
A multidão, não sei se ela sabe,
Também não tem espaço.
Tudo é aparência. Tudo é cortina.
Há um morto na poltrona da frente.
Há um morto que não bate palmas.
Mas o palco é mais animado,
O palco é mais confortável.
Parece. Daqui parece.
Mas mortos não sobem nos palcos.
A multidão passou por mim.
O corpo exala morte.
A carne expele a angústia.
Mas ninguém sabe o cheiro da morte,
Ninguém sabe que cor tem a angústia.
O palco, a passarela, o mundo,
Tudo em outro patamar...
Não há espaço para os mortos.
Meu corpo permanece jogado.
Meu corpo no espaço alheio.
Vagueio, desencarnado, entre cores.