Respeite a arte! Ao reproduzir em outros lugares a obra de algum artista, cite o autor. Todas as poesias aqui presentes foram escritas por Mao Punk.

Visite também meu blog de textos: RESQUÍCIOS DEPRESSIVOS, SUJOS E NOJENTOS .
Textos que expõem a fragilidade e indecência humanas de forma irônica, metafórica e sem embelezamentos.

domingo, 27 de julho de 2014

quarta-feira, 23 de julho de 2014

SE EU VERSO ASSIM

Se eu verso assim,
Meio sem jeito,
É que escrevi
O que há no peito.

Se eu verso assim,
Meio sem graça,
É que o sorriso
Me embaraça.

Se eu verso assim
E não me acho,
É que perdido
Fiquei nos cachos.

Mas se escrever
Fez jus à pena,
É que em teu beijo
Achei poema!


segunda-feira, 21 de julho de 2014

NOITE SEM BREU

A bela moça
Temeu a noite.
Pensou no breu.

Ao vê-la, bela,
Este poeta
Não entendeu,

Pois era brilho
Que emanava
Sem hesitar!

E nos seus lábios
Eu vi a noite
Se iluminar.

sábado, 12 de julho de 2014

O QUE ISABELLY NÃO VIU NOS CONTOS

Dos livros muitos buscam do contexto
Achar pelas esquinas, pela estrada,
O amor presente em páginas folheadas
Que fora escrito tanto em cada texto.

E pelos filmes tenta achar pretexto
A alma sonhadora, emocionada,
Para sorrir como se fosse amada
Ao assistir as cenas com apreço.

Em meio às fantasias, reconheço:
Amor igual ao meu eu desconheço,
Que nunca vi amor igual em nada!

Pois deste imenso amor que te ofereço,
Jamais encontrará sequer um terço
Em livros, filmes ou contos de fada.


quarta-feira, 9 de julho de 2014

POLIVERSOS

Não quero você, nem ninguém.
Eu só quero o que nos convém.

Não quero ser preso ou prender,
Eu só quero o direito de ser.

Não quero ser uma metade,
Ser inteiro é ceder liberdade.

E liberto, eu vos digo assim
Que vos quero libertxs de mim.


sábado, 28 de junho de 2014

VAI, BRASIL!

Vai, Brasil!
Avante!
Pisando na bola,
Faltas graves,
Impedimento
                     de direitos sociais.


Vai, Brasil!
Comemora!
Agora!
E lá fora
É a hora
               em que o mundo jaz.


quarta-feira, 25 de junho de 2014

PRECISO MENCIONAR?

Parece Mentira,
Porém Matam
Pobres, Miseráveis...

- Para, Maluco!

Preso. Mordaça.
Pancadas. Machucados.
Padeço Mudo...
Pad... Mud...
Pa.. Mu..
P.M.





domingo, 22 de junho de 2014

CUPIDO

Cupido carrega flechas de todos os tipos.
Às vezes ele mira, mas nem é no coração.
Às vezes atira só para passar o tempo.
Parece que mira no cu. Só para foder mesmo.
Mira bem no olho do cu... e atira!
Faz os olhos notarem alguém,
Faz a mente viajar, viajar...
Mas a flecha do Cupido não dá coragem,
Não dá impulso para chegar a quem atrai.
É difícil agir quando se tem uma flecha no cu.




sexta-feira, 20 de junho de 2014

DOS DESEJOS

Quero,
            Não nego.
Calo
         Quando pudor.



terça-feira, 17 de junho de 2014

DE TUDO QUE NUNCA FOI

Sejamos passado.
Que seja bom
Quando lembrado!

segunda-feira, 16 de junho de 2014

ADIANTE

Sossegue!
A vida
Segue.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

FOLCLORE

Quem vê governo bom
Da vista não presta.
Polícia sendo justa?
Conversa!

Burguês consciente,
Elite decente...
Folclore do mundo,
Aberração!

Dos males do mundo
Prefiro o poeta,
Pois é verdadeiro
Versando ilusão.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

CRÍTICA AO SEXOCENTRISMO

Anexaram decência ao falo.
Vivência não é cada passo,
Mas o fim do cabaço.
Viver é um espaço
Entre a vulva e a vagina
Preenchido de gozo,
O cu, de vaselina.
E a vida como é agora
Já não se goza, só se esporra.



segunda-feira, 2 de junho de 2014

POEMA TURVO

O mundo se faz não só de trovas,
O mundo é mais turvo, bem mais torvo,
O mundo é espanto, o mundo é torto.
O mundo é tortura, é dura, é cova.

Humores do mundo, sem amores.
Amores da vida, só rancores.
As cores do dia dançam dores,
As dores da vida brindam morte.

Quem inda se espanta, sangra tudo.
Quem inda se espanta não se estanca.
Quem estanca espanto, as dores tranca.
Quem tranca desgosto desfaz luto.

Não há nisso tudo o que não valha.
Não há nem sequer o que não sirva.
Não há neste mundo quem não siga
E nunca tropece em meio à estrada.

E assim, de tropeços, torpes erros,
No errante compasso em que me faço,
Se julgo ou se agindo sou julgado,
Nenhuma justiça será feita.

E que não se espere esta justiça!
Pois nada a atiça. E quanto a nós,
Seremos errados toda a vida,
Seremos da vida o próprio algoz.


quarta-feira, 21 de maio de 2014

CHÁ PARA ANOS FUTUROS

Quem me apaixona
Trazendo sequela,
E quem na beleza
De ser exagera
Ainda é ela.

Pudera!

Quem não me surge
Depois da espera,
Mas anda comigo
Em toda quimera
Ainda é ela.

Tão bela!

Passam-se versos
E outras mazelas,
Mas quem permanece
No peito e se atrela
Ainda é ela.

Quem dera!

No pensamento,
Nenhuma cautela;
Um segundo se passa
E a cena revela:

Eu e ela...

sexta-feira, 16 de maio de 2014

RECEITA

Poesia minha eu faço assim:
Misturo o que não tenho
Com o que há dentro de mim.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

SONETO MUDO À CAMILA

Foi quando não podia a poesia
De um suspiro aparecer brotada
Que vez a mais de ti veio inspirada
A rima que em mim já não havia.

E assim se fez a súbita agonia
De não poder de ti ter saciada
Esta vontade tão enamorada
De teus encantos, bela primazia!

Dizer sobre o silêncio – quem diria! –
Dos versos que ora faço há valia?...
Se outrora em tuas mãos, acomodada,

Esteve a poesia que um dia
Gritara aos olhos teus o que sentia;
E o verso hoje é silêncio... e mais nada.

domingo, 11 de maio de 2014

MEIO ENCONTRO

Metade dos lábios
          Em uma vontade criada.
A outra metade calada:
            Em silêncio...

... Na metade de teus lábios,
                                      saciada.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

RISO DOS OLHOS

Sorri-te c'os olhos,
Teus olhos achei.
E vendo teus lábios
Um riso encontrei.

Mas este teu riso
Sorrira pra mim?
Quem dera teus olhos
Dizendo que sim!


domingo, 27 de abril de 2014

PEQUENO POEMA PUNK

Você é saudosista
Da antiga disciplina?
Foda-se você!
Eu quero anarquia!

Você impõe que os outros
Devem ser recatados?
Eu quero a podridão
De nós, mal educados!

Diz sobre seu bom Deus
Que vem trazer castigo?
Porém eu sou ateu,
Seu Deus não está comigo!

Diz que sou marginal
E que mereço a morte?
Que bom que me odeia,
Seu ódio é minha sorte!


segunda-feira, 14 de abril de 2014

HEMOGOZINA

Eu sinto emoção
Em rir com quem ri;
E o resto não importa!
Faz meu coração
Jorrar meu tesão
E gozar pela aorta.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

DESEJO DE POETA

Quis o poeta
Despetalar-te,
Poder despir-te
Parte por parte,
Quisera ver-te
E despudorar-te,
Fazendo arte
Ao introduzir-te.
Ao não poder-te,
Despoetou-se.


sexta-feira, 4 de abril de 2014

CRIATIVIDADE

Obra serena:
Fazer de três linhas
Qualquer poema.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

CHARME

Não há em mim espaço tanto quanto
Neste infinito e eterno céu de estrelas,
Mas estes olhos que brilharam ao vê-la
Quiseram ser teu céu, infindo manto.

Assim meus olhos astros se fizeram,
Pois nada mais definiria o brilho
Que senti radiar sem empecilho,
E eu pensei assim que estrelas eram.

Equívoco este meu! Não poderia
Vir de meus olhos esta luz que havia,
Mas sim de ti, que és a estrela rara!

E meu olhar sem ti nada seria,
Tal como a Lua que não brilharia
Se não houvesse estrela a iluminá-la.



quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

SONETO FRIO

Minha poesia agora está mudada,
Nela já não cabe sentimentalismo.
Hei de assumir no verso o egoísmo
E toda frieza dele acompanhada.

Nesta poesia tão modificada
Não há de se achar romântico lirismo,
Pois da esperança o nome é cinismo
E a desilusão não vem ornamentada.

Eu tornei-me frio; e fria é a estrada.
Se o que me aguarda ao fim da caminhada
For a dura queda, a queda é empirismo.

Mas nesta frieza ora destacada,
Ao precipitar-me à queda malograda,
Estarei comigo ao despencar do abismo.



domingo, 12 de janeiro de 2014

CIDADÃO DE BEM, HUMANO DIREITO

Você que trabalha,
Que paga impostos,
Que não admite
Que haja um dos nossos,

Que entra em shoppings
Para fazer compras,
Que paga seus carros,
Que arca com as contas,

Você que dá duro
Na diretoria,
Que não se sujeita
A essa anarquia

Dos tais vagabundos,
Desses marginais
Que nunca batalham
Como você faz,

Você que é honesto,
Humano direito
Que respeita as leis,
Que não tem defeito,

Que aplaude bem alto
As autoridades
Que expulsam bandidos
De sua cidade,

Você que é ligado
Nos telejornais,
Que é informado,
Que sabe demais,

Que dá o seu voto
Em toda eleição
Para quem combate
A corrupção,

Você que é contra
A patifaria
Do povo imundo
Da periferia,

Você que é cansado
Dessa violência
Contra sua classe,
De toda indecência,

Você que é pudico,
Que é bom cristão,
Que cuida da vida
E da vida do irmão,

Que faz os seus planos
Pra ter mais conforto,
Pisando e pisando
Em cima dos outros,

Você que se acha
O bom cidadão,
Prepara que a vida
Não é fácil, não!

Pois de onde veio
Há desigualdade
Que só foi gerada
Por cumplicidade

De toda sua classe
Que é elitista,
E as classes mais baixas
Reclamam justiça,

Reclamam suas vidas,
Reclamam vingança!
A sua riqueza
Não compra esperança.


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

ELEGIA AO ANO NOVO

O ano passou.
Os dias passaram.
A vida passou.
E todos os dias são a repetição
Do último dia do ano,
Pois termina o dia,
Pois termina a hora,
Pois termina o minuto,
Pois termina o segundo.
O último e o primeiro dia do ano
São as repetições dos demais dias.
Nada de novo, 
Nada diverso,
Nada de fato
Inovando o resto.

Quem se renova? Fico pensando,
Será preciso passar um ano
Para que haja alguma vida?
A vida passou.
E todos os dias são a repetição
Do desperdício de quem aguarda,
De quem desiste,
De quem festeja a festa triste
Que só ilude,
Que só engana.
No novo ano, 
À sua cama,
Será o mesmo corpo cansado
Que se deitou no ano passado.
E você diz "que neste ano..."

Mas neste ano ainda há fome,
E neste ano ainda há ídolos,
Ainda há o despertador às cinco da manhã,
Há o pão duro na cesta do café da manhã,
Há a pressa no passo e o descompasso,
Há cores que ninguém nomeou
E há estrelas na cidade ofuscadas pela iluminação.
Há, inclusive, a escada rolando,
A bola rolando, a cabeça rolando...
E um calendário satírico trazendo esperanças.

Portanto, é espanto que os fogos no céu
Não digam nada sobre os fogos da terra,
Os fogos que se apagam dos olhos,
Os fogos que disparam das armas,
Os fogos que matam por dentro e por fora,
Os fogos que se acendem do álcool,
Estes fogos que nos desmatam
(Oh, nossa natureza tão frágil)!

Dirão que tudo sorrirá,
Por que então já não sorrir?
Quem definiu a hora exata, o momento?
E quem sorriu durante os meses,
Será que tudo foi traçado
Por mais um risco no calendário?
É mais macio pensar assim,
Que amanhã será o dia.
Que à manhã seremos inteiros.
Hoje é cedo, mas o ano passou.
Os dias passaram.
A vida passou.
E passa. E passa. E passa. E passa...



domingo, 29 de dezembro de 2013

SE A SENSAÇÃO DISPENSASSE OS VERSOS

Se a sensação dispensasse os versos,
Ah, se o sonho dispensasse a dor!
Mas acontece que sou poeta,
Mas acontece que tenho amor.

Se minha vida me dispensasse
De tudo aquilo que me matou...
Mas acontece que a vida é feita
De toda morte que se acabou.

Se a natureza do que eu sinto
Fosse regada com água e só...
Mas acontece que o pranto rega
E o pranto vem do que se fez pó.

E se o poema fosse só pranto,
Por que poeta eu devia ser?
Mas acontece que a poesia
É o sorriso no padecer!


domingo, 22 de dezembro de 2013

ESSE TAL DE ROCK

Mas é que esse tal de rock
Já virou patifaria!
Esse traje descolado
Que se compra em galeria,
Essa gente desbocada
Que se faz de revoltada
Só pra fingir rebeldia.

Com suas músicas pesadas,
Com seus riffs virtuosos,
Acima de outras culturas,
Acima de outros povos,
Reproduzem preconceito,
Mas isso não é direito,
Ignoram mundos novos.

A causa mais importante
É o show que é da pesada,
E os muito, muito machos
vão "catar" a mulherada
Para auto-afirmação
Da sua pose de machão,
Mas de espertos não têm nada.

Cuidado ao andar na rua,
Cuidado com o que veste,
Camiseta do Airon Meide
Pode usar só quem conhece
Quantos discos eles têm,
Quais os RG's também,
Se não sabe, não se mete!

Os roqueiros endoidados
Não se importam com você,
Pois estão mais preocupados
Com CD's e DVD's
Que precisam adquirir,
Se preocupam em conseguir
Companhia pra beber.

Lógico que tudo isso
Não é lei universal.
Há roqueiro que é "do bem",
Há roqueiro que é "do mal",
Mas a quem ao mal é dado
Deixo aqui o meu recado:
We will rock your fuckin' law!


sábado, 21 de dezembro de 2013

SERÁ QUE É O TREM QUE PASSOU?*

Amor é um trem
Passando por diversas estações,
Carregando e descarregando
Pessoas que passam,
Que passam...

Embarque com cuidado,
Desembarque pelo lado esquerdo do peito.



*Titulo em alusão à canção "Estrada Nova" de Oswaldo Montenegro