Respeite a arte! Ao reproduzir em outros lugares a obra de algum artista, cite o autor. Todas as poesias aqui presentes foram escritas por Mao Punk.

Visite também meu blog de textos: RESQUÍCIOS DEPRESSIVOS, SUJOS E NOJENTOS .
Textos que expõem a fragilidade e indecência humanas de forma irônica, metafórica e sem embelezamentos.

sexta-feira, 13 de março de 2015

PEQUENA POESIA DOS OLHARES

Eu vi
Os seus olhos
Olharem
Pra mim.
Será
Que vi certo?
Será
Que é assim?
Ou será
Que apenas
Me retribuiu?
Mas vendo
Seus olhos,
Meu olhar
Sorriu.
Ou então
Eu penso
Que sonhei
Demais!
Se certo
Ou errado,
Meu olhar
Quer mais!

sábado, 7 de março de 2015

SER

Poeta, poetisa:
Nunca houve caminho certo.
Há poesia e há caminho.
O caminho nunca foi certo.

Degustará o pão mais amassado
Pelo diabo mais algoz.
Molhará o pão no café mais doce,
Mais quente, mais forte.
Pobre diabo, coitado!
Achou que o inferno seria o bastante.
Não sabia o que era ser poeta, ser poetisa.
Se soubesse, choraria
E nem sequer amassaria pão algum.

Mas ser poeta, ser poetisa,
É exatamente isso:
Fazer o diabo chorar,
Mastigar o pão amassado
E cuspir na cara do diabo.

Nunca houve caminho certo.
Tudo é dúvida, tudo é risco.
E todo risco é verso
Para o poeta, para a poetisa.
Caminho certo não vira poema.

Mas o poeta, a poetisa, sabem
- E sabem muito bem - que não há caminho errado
Para o qual valha retornar.
Há tanto caminho errado pela frente!
Há tanto verso pela frente!
Há tanta vida pela frente!

Poeta, poetisa:
Nunca houve caminho certo.
Há poesia e há caminho.
A poesia nos basta.


segunda-feira, 2 de março de 2015

PÁSSARO MORTO

Estou muito cansado deste fado!
Cansado do que a vida tem me feito,
Cansado de trazer dentro do peito
Qualquer estupidez de mau agrado.

Cansado de ceder-me por completo,
Cansado de mostrar meu sentimento,
Cansado de só ter o desalento
Como recebimento do que entrego.

Mas nada há de mudar em minha vida!
Quanto mais sinto, mais dói a ferida;
Quanto mais forte, mais desconsolado!

Já não espero ter nenhum conforto.
A esperança é um pássaro morto,
A minha sina é ser amargurado!


domingo, 1 de março de 2015

ABISMO

Em teus lábios um abismo.
Eu me jogo descuidado.
Minha queda logo veio:
Eu estou apaixonado!


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

SONETO DE RENOVAÇÃO

Acordo aflito. Assim são esses dias!
Eu tenho amanhecido atormentado.
Levanto sem saber de meu estado,
Tentando compreender minha agonia.

É uma angústia que eu não poderia
Imaginar rondando este meu fado.
Assim eu passo o dia agoniado,
Assim encaro a dura noite fria.

E tanto refleti sobre o que havia
Que ainda refletindo arriscaria
Dizer este palpite impressionado:

Se acordo e penso em ti dia após dia,
E passo o dia assim – quem negaria? –,
Eu desconfio estar apaixonado!


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

CHAMADO

Sentir que a vida é boa?
Nunca pude!
A vida não é algo a se exaltar.
Mas quanto mais a vida
Me ilude,
Mais sinto a resistência
A me chamar.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

INALCANÇÁVEL

Nada além do de sempre,
Do nunca. Do tudo que se perde.
Nada além do encontro do que se perde
Com o que não há de ser, jamais.
Por quase três décadas o espelho nunca foi mágico

(Apenas Quintana me fez, por um momento, acreditar que sim.
E isso durou apenas enquanto o tempo era esquecido nas páginas.
E Isso retorna apenas quando as páginas me afastam do tempo).
O espelho nunca foi mágico, mas foi e é real.

Por quase três décadas, apenas reflexos de quase três décadas.
E o que vejo não condiz com tudo que posso querer.
O que eu quero é menos intenso que o reflexo de quase três décadas.
O que eu quero não consegue me alcançar, 
Pois que não sou eu que não consigo alcançar meus desejos, 
Mas meus desejos é que não me alcançam. Estou inalcançável!

Eu afasto. Sempre afastei. 
E talvez a poesia, o amor, a entrega, a angústia, a amargura,
Talvez essa porção de vida tenha intensificado a questão.
Eu afasto. Afasto mais do que nunca. 
Sei bem o que quero em meio ao não saber o que se pode querer.
Dizem ser muito arriscado lidar com a certeza do incerto.
Quanto a mim, tenho a mais incerta certeza de que nada sei,
Mas sei que estou certo em assim pensar, parece-me.

E por parecer, arrisco. E assim o faço por parecer com algo que o espelho me mostra,
Por parecer décadas clamando novas décadas. 
E parece-me que há marcado, em algum tempo e espaço,
O encontro feliz do que se perde com o que não há de ser, jamais.
Feliz, sim, por arriscar o que poucos tem coragem de tentar alcançar:
Ser inalcançável ao que não se precipita.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

POEMA TERMINAL

No céu, a Lua altiva iluminava.
Parece que se fez para nós dois.
A Lua nos olhava e admirava
E aguardava algo a vir depois.

Mas eu tomei a decisão ingrata,
E não cedi ao que o peito pediu.
Minha palavra ingênua estava dada,
Minha ingênua palavra me feriu.

E eu chorei minha cruel vontade
De estar ao lado teu e te sentir.
O que será que fiz, na realidade?
O que será de mim neste porvir?

Não sei o que fazer com meu desejo,
Nem sei como explicar o que ocorreu,
Mas sei que por não ver o nosso beijo
A Lua se apagou e amanheceu.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

ANTIFIM

O fim nada mais é senão um tempo,
Um certo tempo dentro de outro tempo.
Mas tudo o que se finda é só momento.
O tempo vai, persiste o sentimento.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

INSULTO

Insulto
Eu me achar seguro
Em meio 
Ao tumulto.



sábado, 7 de fevereiro de 2015

A SEMEADURA DO ADEUS

Só por enquanto.
Depois, nem tanto.
O dia vira,
A vida ensina,
A sina segue.
O riso é breve.
Vem desapego,
Depois, sossego.

Não ria muito,
Pois não te escutam.
Não faça planos,
São só enganos.
Nos fatos dados,
Aprendizado.
Doar-se assim:
Inútil!
E fim.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

INAPETÊNCIA

Pensei demais
Na vida.
Sobrou comida.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

DESANDANÇA

Algo em nós dois desanda
E foge do que é o certo.
E isso me leva à sua boca,
E isso nos traz para perto.


INCOMPATÍVEIS

Não combinamos em nada.
Mas como são boas
As coisas não combinadas!


sábado, 31 de janeiro de 2015

TRAVESSIA

Sinta-me
Ou sinto muito.


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

SOBRE BARCOS E MISTÉRIOS

“De onde veio o mundo?”,
Alguns indagam inquietos.
“E sobre o universo,
Como é que surgiu tudo?”,

“O sentido da vida?”,
“Aonde vamos todos?”,
“Surgiu primeiro o ovo
Ou antes a galinha?”.

Nada disso interessa,
Pois há outro mistério,
Um caso bem mais sério
A se sanar depressa.

Eu busco entendimento:
Quem é essa garota
Que ao beijar minha boca
Toma meu pensamento?


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

OBSTINAÇÃO

Não viva como quem aguarda risos,
Nem ria como se sorrir bastasse.
A vida é cruel em seu impasse,
E quem duvida logo perde o siso.

Não há felicidade que é eterna,
Nem mesmo bem-estar que não termine.
Não há sequer sorriso que sublime
E que não finde a alguma dor interna.

Viver é isso e nada além do exposto.
Viver é contratempo, é contragosto,
É dor que nunca há de ser vencida.

E quem se desespera por tal sorte,
Que possa aguardar por sua morte,
Porém eu me obstino à minha vida!


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

PARA VIVER

Querer viver
É para poucos.
É preciso considerar
Os sufocos,
Os quase ocultos
Risos bobos
E a incerteza
Do novo.
É preciso
Sangue frio
E alma
Para aquecer
O vazio.
É preciso,
Sem motivo,
Morrer a todo momento,
Abraçar o tormento,
Jogar ao vento,
Como em despedida,
A própria vida.


sábado, 17 de janeiro de 2015

CAIR

Cair,
Cair do céu,
Cair sem pressa.
Cair como quem plana,
Cair pleno.
Cair como quem voa
Em desespero
Para o céu infinito
De um chão belo.

Cair,
Como uma pluma,
Cair leve,
Cair como do céu
Se cai a neve,
Cair como uma estrela
Que ilumina.
Cair como se o chão
Ficasse acima.

Cair,
Cair macio,
Cair eterno.
Cair feito cair
Fosse minha meta.
Cair, pois quem não tomba
Não respira
E nunca poderia
Ser poeta.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

VERSOS DA INCERTEZA

Cuidado!
Poeta vivendo
É tiro dado.

Poeta:
Viver é um tiro,
Morrer é a meta.



sábado, 3 de janeiro de 2015

DUAS MORTES E UMA VIDA EM UM MOMENTO

Morreu um
Receio
Na morte
Do anseio:
Um beijo
Nasceu.



sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

RUAS A ATRAVESSAR

Tanta gente querendo entrar,
Tanta rua pra atravessar,
Tanto riso para sorrir,
Tanto medo pra deixar ir.

Tanto eu. Tanto aqui. Tanto há. Tanto sou.

"Tanto faz" já não me apraz.


segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

ANTES DE RESSUSCITAR

Por um momento,
O caos morto.
Num beijo
Eu tive conforto.


quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

SEM FUTURO

Pelo andar dos dias, assumo:
Para mim não há futuro.
Tudo o que tenho é hoje.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

AOS CAMINHOS DE ISABELLY

Não temas esta dor que ora aperta,
Nem mesmo a incerteza que se trama,
Sequer sejas vencida frente ao drama,
Não deixes à tristeza a porta aberta.

Não penses sobre a dor deste poeta,
Pois a dor de poeta se declama,
Mas digo ao desespero que te inflama:
A tua dor à minha mais me acerta!

Portanto, à tua calma esteja alerta
E a todo sentimento que te cerca.
Não te afogues na dor que se derrama,

Nem deixes tua alma ser deserta.
E quando tu sentires que és completa,
Farás feliz aquele que te ama!




domingo, 14 de dezembro de 2014

AMOR EM DIAS ÚTEIS

Conformado às voltas que a vida dá.
Nas adversidades hei de aceitar
Esse nosso amor que não sossega
E que jamais desvaneceu.

E quando o final de semana chegar,
Tentar entender sem lamentar
Que são os dias em que se entrega
A quem mais te mereceu...


sábado, 6 de dezembro de 2014

DELÍRIO

Poema que eu quis fazer
Não saiu.
Restou versar
O que nunca se viu:

Minha boca,
Rimando tua boca,
Sorriu.



domingo, 30 de novembro de 2014

FRÁGIL

Fragilidade:
Viver inteiro,
Sentir-se metade.


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

sem título, novembro de 2014

Só estou cansado,
Não pergunte o que há.
Meu peito bem sabe,
Mas não pode parar.

domingo, 9 de novembro de 2014

ENTRE O POETA E O LEITOR

Poesia minha:
Há risco de mim
Em tua linha?